Verdades restritas

O que você pensa quando a sua mente está livre das preocupações e obrigações diárias? Claro, não dá para definir uma única linha de pensamento quando, todos nós sabemos, que as ideias conseguem seguir por caminhos inusitados e diversos em uma única fração de segundos. Mas, qual é o pensamento que mais ocorre em seu cérebro?

Posso dizer pessoalmente que o pensamento mais presente na minha vã consciência é: “O que as pessoas estão pensando de mim?”. Parece fútil, eu sei. Porém, racionalizando o racional, não é tão ruim quanto parece. Na verdade, é algo bem psicológico que posso explicar diante da constatação imediata que me preocupo demais em ser aprovada pelas pessoas, mesmo odiando o fato de ter que ser aprovada seja lá pelo motivo que for.

Ao se deparar comigo por aí e me observar apenas por alguns instantes, você já vai saber que entre uma tentativa e outra de tentar entender o que se passa na cabeça dos outros a partir dos seus respectivos comportamentos, eu também estarei buscando algum tipo de sinal que me leve a descobrir o que estão pensando de mim, da minha imagem e de tudo o que expresso. Estarei imaginando também que muito provavelmente a ideia que formaram a meu respeito não é a correspondente a realidade, porque, assim como todas as demais pessoas do planeta Terra, o que demonstro nem sempre é a verdade, pois a verdade geralmente fica restrita dentro de mim, guardada para aqueles que querem mais do que julgar a realidade aparente.

(John Mayer – Stop this train) 

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A relatividade da verdade

Toda vez que penso como a verdade é uma das coisas mais relativas do mundo, fico realmente apavorada. Isso me assusta pelo fato da dificuldade imensa que se esconde por trás das palavras. Apesar delas serem tão simples de serem pronunciadas, existe uma gama de significados e intenções que só mesmo quem as diz é capaz de saber se correspondem a realidade ou não.

Isso me apavora de verdade! Não sei se porque sou extremamente insegura e desconfiada, mas a simples ideia de que podem estar mentindo pra mim por qualquer objetivo escuso me atormenta. É como se uma simples mentira pudesse apunhalar tudo o que há de bom em mim.

Não costumo acreditar nas pessoas. Na verdade eu mantenho convicta ideia de que todos tentam me enganar até que se prove o contrário. Provavelmente esta não é a maneira mais sã de se encarar uma vida, mas se existe outro meio seguro de não ser enganada, ele simplesmente não me foi apresentado.

A verdade é tão relativa quanto questionável. É muito fácil enganar, muito fácil mentir e ninguém é capaz de garantir com absoluta convicção quando realmente se trata de uma verdade. Por isso, de uma maneira bastante desconfiada, e porque não dizer neurótica, eu me mantenho na adaptação daquele ditado que diz que o ciumento vive procurando uma maneira de estragar sua felicidade. Em outras palavras, eu vivo tentando “pescar” uma mentira que consiga manter intacto meu proeminente pessimismo.

(Christina Brehm – The only exception)

Entrelinhas de um sorriso

Ao olhar para as pessoas costumo me perguntar se são tudo aquilo que transparecem, se sentem os sentimentos que demonstram. Eu sinceramente acho que não.

As palavras mentem, os gestos enganam e driblam a realidade dos mais íntimos sentimentos. E é tão fácil perceber isto! Basta observar, mesmo que de longe, as entrelinhas de um sorriso, o que está por trás de uma frase otimista.

Não acho que as pessoas agem desta maneira tendo como propósito enganar os outros. Na verdade, acredito que às vezes nem percebem que estão fazendo isso. Parece que existe certa vergonha de não ser feliz, de não ser bem sucedido com relação aos sentimentos e ao contentamento com a própria vida. Por isso todos procuram encobrir, de uma forma ou de outra, o que se passa dentro do seu mais imperceptível interior.

Lágrimas se escondem atrás de sorrisos, depressões se encobrem com palavras e isso nunca vai mudar… Não se ninguém quiser acordar e perceber que existe muito mais tristeza no mundo do que se é capaz de visivelmente contar.

(Música: Amy Jo Johnson – Dancing in between)

Verdade do dia

A verdade do dia é: Quanto mais tempo temos, menos coisas fazemos!

Imagino que esta contestação talvez seja óbvia uma vez que se não temos tempo é logicamente porque estamos ocupados demais fazendo alguma coisa de fato. Mas, mantenho convictamente a opinião de algumas verdades não somos capazes de perceber, mesmo quando límpidas e cristalinas. E, com o tempo, isso acontece literalmente o tempo inteiro.

Quem sabe em virtude do tempo ser algo abstrato seja tão complicado nos darmos conta de quantas horas atiramos ao lixo com situações, comentários, atitudes desnecessárias. Também existe a possibilidade de acreditarmos otimistamente que o tempo é infinito. Ou que temos toda uma vida ainda pela frente, que muita coisa pode acontecer, que o futuro reserva algum de tipo de fórmula inovadora que nos dará maiores doses de tempo para concretizarmos tudo o que ainda precisa ser concretizado.

A verdade é que por mais que eu também acredite que o tempo nunca chega ao fim, penso que não se pode dizer que é uma atitude sábia desperdiçá-lo por este motivo. Se algo precisa ser feito, se alguma decisão tem de ser tomada, que seja agora, neste exato momento! Se não der certo, paciência… Tenta-se de outra maneira. Mas, ao menos, manteremos a certeza de que não jogamos fora o chamado precioso  tempo.

(Música: The Pretty Reckless – Just tonight)

O caminho da sinceridade

Tenho a impressão de que o caminho para a plena realização da felicidade em nossas vidas é trilhado pela sinceridade. Construído por largas lajotas de honestidade misturadas com uma espécie de sedimentação a base da verdade. Talvez, possa se acrescentar no final alguns litros de água, mas nada que vá além disto.

Não vejo outro meio viável de se conquistar realizações pessoais plenas se não for por meio de gestos sinceros e verdadeiros. Até acredito que se possa chegar a alguns tipos de conquistas seguindo caminhos mais sombrios, compostos por trapaças, mentiras e planos mirabolantes. Mas, nada construído por componentes ruins pode dar resultados dignos de serem chamamos de bons.

Assim, tenho absoluta convicção de que o caminho constituído pela sinceridade é sempre a melhor opção. Por mais difícil que possa parecer, é o certo a se fazer.

Não acho que seja fácil se basear pela sinceridade o tempo inteiro. Até mesmo porque em certas ocasiões a transparência das verdades ditas podem machucar mais do que as mentiras. Porém, mantenho-me firme na opinião de que a verdade deve prevalecer o tempo inteiro porque é somente através dela que podemos conquistar o direito de sermos felizes.

(Música do dia: Marie Digby – Unfold)

Sofrer sem querer

Acredito que às vezes sem querer fazemos as pessoas sofrerem e também sofremos por causa de outras pessoas. Seja através de palavras mal colocadas ou percebidas em contextos errados, situações que podem proporcionar múltiplos significados, sentimentos incompreendidos, atitudes confundidas. A questão é: Todos estamos sujeitos a fazer confusão e sofrer a toa.

Penso que temos a triste tendência a acreditar no pior. Talvez, por já estarmos calejados por problemas, mentiras e falta de caráter dos outros. Nos apoiamos em tudo isso e, com uma pitada de pessimismo, dosamos sofrimentos e mais sofrimentos a nossa vida.

Não digo isto porque acho errado. Na verdade, creio que é natural do ser humano e até mesmo penso que todos temos o direito e o dever de questionar tudo o que nos cerca. Mas, defendo o ponto de vista da verdade sobre todas as coisas. E, esta que deve prevalecer no final das contas.

Chegar até a origem dos fatos e descobrir se nosso sofrimento tem razão de ser ou não é a parte difícil. Afinal, como saber se tudo o que nos dizem corresponde mesmo a verdade? E, como ter certeza de que o que vimos, ouvimos ou percebemos também não é algo verídico? E, uma pergunta, como não provocar o sofrimento de outra pessoa?

As respostas para todas estas indagações eu, infelizmente, não tenho. Mas, ouso arriscar a dizer que é somente pela sinceridade e transparência que podemos transmitir confiança e exatidão as nossas ações. Acho que o caminho é por aí…

(Música do dia: The Cary Brothers – Waiting for your letter)