Previsão do tempo

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Por que as pessoas se preocupam tanto com a previsão do tempo? Noto uma curiosidade exagerada com o que o “cara do tempo” tem a dizer. Aumenta-se o volume da TV na hora que o mapa aparece. Pede-se silêncio. Exige-se atenção.

Às vezes nem se tem nada para fazer no outro dia. Você não vai sair de casa. Não tem roupa para lavar. Não pretende ir à praia. Mas, a preocupação com a chuva ou com o sol continua existindo de qualquer forma. Me diga, por quê?

Parece que as pessoas têm um fascínio absoluto por adivinhar o futuro.  Querem de toda forma saber o que vai acontecer no outro dia. São ansiosas. Não conseguem esperar pelo acaso. Precisam estar precavidas. E, nestas horas, a previsão meteorológica soa quase como um “cano de escape”.

Bolas de cristal não são necessárias, muito menos uma máquina do tempo. Você apenas precisa interpretar as figuras de nuvens e sol para saber o que vai acontecer. É fácil, comum. Está ao alcance de todos. E, o melhor, serve até como assunto para os momentos embaraçosos que não se tem nada a dizer.

(Jennifer Hudson – If this isn’t love)

Quem é essa?

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Me ative a ler os posts antigos deste blog. Escrevo a quatro anos nele, e sequer tinha ideia de que fazia tanto tempo. Culpo a falta de percepção do número de publicações, a rotina que já faz parte da minha semana. Me sento diante do notebook, e simplesmente dou toda a liberdade para meus dedos digitarem o que se passa em minha mente.

Nem sempre posso escrever exatamente tudo o que penso, mas em hipótese alguma minto. Quer dizer, ao menos não publico nada do que não acredito naquele exato momento. Mas, em meio a toda esta contabilização não oficial de postagens, me ative a revisar posts antigos, e encontrei uma frase que cheguei a cogitar a possibilidade de ter sido abduzida no momento em que a escrevi. As palavras diziam “Eu não gosto de caminhar.”.

Li, e pensei: “Como assim? Você está louca, garota?”. Oras, desde quando eu sou contra a prática de atividades que fazem bem para a saúde? Não consegui acreditar nas minhas próprias palavras. Não me reconheci naquela frase. Quem será essa Marceli que ousa dizer que caminhar é um saco?

Tudo bem que a Marceli de hoje em dia se tornou uma esportista, fã de carteirinha, e prefeita no Foursquare da academia, só que a Marceli de quatro anos atrás não era uma completa sedentária.

Fico pensando se daqui a mais quatro anos também não vou me reconhecer em meio as minhas próprias palavras. Será que o tempo nos torna desconhecidos diante dos nossos próprios princípios?

(Miguel – Do you…)

É o tempo

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Sempre me pego observando as pessoas meio sem-querer-querendo ou por puro interesse em extrair algum aprendizado, e no decorrer das minhas últimas análises, percebi que a única diferença entre as pessoas é o tempo.

Todo mundo vive as mesmas situações, compartilha experiências e aprendizados similares. Só que tudo isso é vivido em tempos, momentos diferentes.

Vejo pessoas por aí falando sobre como organizar um casamento, discutindo o buffet, os doces, convites e lista de convidados. Penso comigo: “Eu já passei por isso!”. Então, observo casais em um nítido primeiro encontro, e afirmo novamente que “Sim, eu também já vivi isso!”.

Imagino que da mesma forma que eu o faço, existem pessoas que enxergam a minha vida e também podem afirmar que já passaram por aquilo. É nisso que embaso a minha “nova descoberta”. A diferença entre todo mundo está apenas no tempo.

(Jonathan Rhys Meyers – This time)

Stop do tempo

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Parece que o maior desafio do ser humano sempre foi tentar superar o tempo, driblar os dias, semanas, anos e conseguir fazê-lo deixar de correr e até, quem sabe, eventualmente (ou não) pará-lo.  Eu mesma já briguei com o relógio ou comigo mesma por ter esquecido o relógio. Com todo ser racional neste planeta, queria mais tempo para trabalhar, para estudar, mais tempo para ler e me divertir.

Só que apesar da luta contra o tempo já estar perdida, existem alguns momentos da vida que vejo que o tempo parece não mostrar as suas garras de influência. Para o amor, por exemplo, não há calendários. O amor é atemporal, inerente ao tempo. Para ela não há diferença entre uma hora ou quarenta anos. Para o amor tudo isso são apenas momentos. Alguns tristes, outros felizes, e infindáveis momentos de espera e compreensão.

Se existe algum botão “stop” para o tempo, o amor certamente deve deter este conhecimento. Pessoalmente, eu deduzo que o “segredo” está em uma palavra: L-I-B-E-R-D-A-D-E.

(Os Paralamas – Me liga)

Quase balzaquiana

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Me sinto velha como há muito tempo não sentia. Olho para o passado e lembro das brincadeiras de infância, de jogar vôlei no meio da rua, e já nem tenho mais certeza de quanto tempo passou.  Aliás, não gosto de contar os anos, todos esses números só servem para evidenciar ainda mais o avanço da idade.

Mas, fato é fato e não podemos fugir: Estou envelhecendo! Não me pergunte o quanto, não vou dizer. Cheguei naquele ponto de começar a entender a pergunta “Quantos anos você tem?” como uma ofensa. Me recuso a dizer, e estou até tentando esquecer que sei em que ano nasci.

Tudo isso parece exagero, mas não é, juro! Hoje eu começo a evitar certas expressões, como a de preocupação, na inusitada tentativa de retardar o máximo possível as rugas que um dia vão surgir. Outro fato! Odeio os fatos, principalmente os referentes aos anos que se amontoam e pesam na idade. Também odeio o tempo, mas vou fazer o quê? Fugir não posso, me esconder também não. O que me resta é apenas a odiável perspectiva de continuar a envelhecer.

(Tiago Iorc e Maria Gadú – Música inédita)

De volta ao começo

Fonte: ReproduçãoVez ou outra sou acometida pela sensação de que tudo parece exatamente igual. Passa o tempo, voam os anos e as coisas não saem do lugar, permanecem estáticas, inertes. O tempo verbal muda, as folhas do calendário também, mas os fatos são os mesmos, aqueles já conhecidos e habituais. Isso me assusta…

Não sou o tipo de pessoa sedenta por grandes novidades ou aventuras, só que nem por isso deixa de me incomodar a ideia de que por mais que eu tenha vivido, aprendido e acumulado experiências, em alguns momentos tudo parece ser como sempre foi. E isso não engloba apenas as ações… Tem vezes que até a linha dos meus pensamentos parece voltar ao seu ponto de partida e começar novamente com perguntas que já respondi na minha adolescência.

Me agrada pensar que estou me tornando alguém diferente, amadurecendo e quem sabe até me transformando no adorável clichê de ser “uma pessoa melhor”, mas é inegável que existe uma gravidade, uma força que me atrai de volta ao começo, a origem, e a essência (não muito boa ou positiva) de quem eu verdadeiramente sou.

(Moby – Templation)