Coração sonhador

Reprodução

Desafio você a responder três perguntas de forma honesta e sem rodeios:

  1. Por que as pessoas continuam acreditando em contos de fada mesmo depois de comprovarem que a realidade é totalmente impiedosa com inocentes corações romanceados?
  2. Por que conservar a fé no melhor das pessoas mesmo quando elas emitem provas nítidas o suficiente para que se perceba que não merecem sua confiança?
  3. E por que é tão difícil se contentar com uma existência perfeita aos olhos alheios, mas absolutamente vazia para quem a vive dia após dia?

Acredito que se você conseguir ser sincero de verdade com os próprios sentimentos, encontrará uma resposta universal para as citadas indagações. Seria ela, talvez e simplesmente:

Porque o ser humano é um eterno sonhador.

Sonhador, pois no mundo em que vivemos não é cabível se contentar com realidades singelas e sem graça. Precisamos possuir fogos de artifício dentro de nossos corações para acalmarmos uma insaciável necessidade de nos sentirmos vivos dentro de nossas habituais vidas.

Não sei dizer se existem contos de fadas reais ou se saem faíscas do mitológico amor verdadeiro. Como muitos, apenas conheço a realidade de uma vida oca que precisa encarecidamente de MUITO MAIS para completar o vazio que só outro coração sonhador é capaz de sentir e compreender.

Se um dia vamos nos contentar com a realidade? Não sei… Mas, espero que o tempo e a experiência tragam o alento para as almas sonhadoras.

Anúncios

Saudável solidão

Reprodução

Existe comodidade numa boa companhia. Ter ao lado um parceiro para todas as horas é simples e funcional, além de dar a vida o colorido especial da união. Mas, quem disse que sempre queremos ter a companhia de alguém?

Certos momentos precisam de silêncio. Carecem de espaço e privacidade. Clamam pela solidão. Ler um livro, escrever um poema, refletir sobre a própria vida, e até passar cremes coloridos no rosto não fazem parte dos momentos que queremos compartilhar com o outro. Às vezes, veja bem, só as vezes, é necessário estar só.

Ter um tempo para gente mesmo é essencial para se manter a sanidade. Não acredito que a companhia seja um fator responsável pela loucura, mas não vejo como viver uma vida sem esporádicos momentos da mais pura e completa solidão.

(Holly Brook – Like blood, like honey)

Independência solitária

Reprodução

Estive me perguntando o que todas as pessoas buscam com os seus constantes passos rumo a evolução, e cheguei a uma resposta que, talvez seja generalizada, mas acredito que abranja um grande número de pessoas. Para mim, no final das contas, todos objetivam a independência.

Aprendemos a andar sozinhos, crescemos, descobrimos o caminho da escola para a casa e, dia após dia, vamos buscando novos aprendizados e experiências que devem nos tornar independentes. Não acho que isso seja ruim, mas eu particularmente acho a independência muito solitária.

Quando nos tornamos independentes, caminhamos sozinhos. E partindo desta princípio, eu já nem sei se realmente vale a pena buscar a minha própria independência. Me agrada mais a ideia de compartilhar cada passo com uma outra pessoa, mesmo que isso repercuta em tornar aos olhos do mundo, um fardo a ser carregado.

Prefiro ser uma dependente acompanhada a viver toda uma existência adulta sozinha.

(Fall Out Boy – Alone together)

A parte mais triste da solidão

Reprodução

Como se já não bastasse a solidão ser um estado de espírito lamentável, ela também está cheia de outras partes igualmente tristes. Existe o vazio que se sente no peito o tempo inteiro, a vontade de chorar sem razão, e também há a voz solitária dos pensamentos que, quase sempre, soa mais alta do que a de todos que nos cercam, mas que não necessariamente são uma companhia.

Agora, a parte mais triste da solidão é que a gente se acostuma com ela. Nos habituamos a sua presença a ponto de que quando nos perguntam se não nos sentimos sozinhos, a gente consegue responder que “Não, já é normal assim.”.

O sentir-se só deve estar entre as tristezas mais comuns. Não é lá muito difícil se ver sozinho no mundo. Mesmo que se tenha um universo inteiro de pessoas ao nosso redor, a solidão consegue marcar o seu território, porque ela não envolve as relações presenciais entre os seres humanos. Ela habita o interior de cada um de nós que, cedo ou tarde, se acostuma a viver só.

(Celeste Prince – Wherever you are)

No mundo da solidão

pensando-na-vida

Ninguém, absolutamente ninguém na face da Terra, faz ideia – remota que seja – do que se passa nos meus pensamentos. Não existe uma pessoa sequer que seja capaz de entrar no mundo das minhas ideias e desvendar tudo o que camuflo no dia após dia de toda a minha vida. Isso me parece até meio solitário…

Todos os meus pensamentos (dos mais banais e corriqueiros aos mais importantes e filosóficos) estão sozinhos. Quando não compartilhados devidamente com o mundo, eles permanecem enclausurados dentro de mim, não veem a luz do dia, não se interligam com outras ideias. Ficam apenas estáticos na sua própria realidade triste ou feliz.

Claro, eu gostaria que isso mudasse. Queria poder expor ao mundo tudo o que se passa pela minha cabeça, dizer óbvio e também o que ninguém imagina. Mas, do que me adiantaria? Minha intuição me diz que se a natureza do pensamento é ser abstrato, intocável e estreitamente pessoal é porque tem que ser assim. Talvez se todas as ideias fossem expostas ao mundo o resultado seria drástico demais.  Por isso, permaneço com o que conheço. Opto por deixar meus pensamentos protegidos no mundo da solidão. Penso que é melhor isto a travar batalhas das quais sequer sei se poderia sobreviver. Será que tudo isso faz algum sentido?

(Theory Of A Deadman – Not meant to be)

Pessoas precisam de pessoas

Perdoem-me os solitários por opção, mas é impossível fugir da verdade de que as pessoas precisam de outras pessoas para se fazer o que quer que seja nesta vida. Por mais independentes e desapegados ao convívio social que alguns indivíduos consigam ser, não há como se viver sem compartilhar necessidades, auxílios e experiências. Esta é uma das regras fundamentais da existência humana: pessoas precisam de pessoas.

Precisamos de outras pessoas para existir, para ir ao mercado, fazer compras, ler um livro, assistir um bom filme, ou falar ao celular. Logicamente, surgirá o argumento dizendo que não, que é totalmente possível fazer todas estas tarefas sozinho, sem segundos ou terceiros envolvidos. Mas, contradigo afirmando que se não fossem outras pessoas para fornecer mercadorias, escrever livros, contracenar em filmes, não haveriam meios capazes de proporcionar a solidão necessária nos exercícios de tais banalidades cotidianas.

E digo mais: deixando de lado a questão do fornecimento de “infra-estruturas” de vida, também não vejo como uma pessoa é capaz de viver sozinha. Afinal, qual seria o sentido de ler um livro, ver um filme, comprar ingredientes específicos para preparar um prato secreto se não existissem outras pessoas para compartilharmos tudo isso em conversas, refeições, momentos de lazer e de prazer?

Por isso, sim! Pessoas precisam de pessoas e mesmo que se queira não há como se viver sozinho.

(Joss Stone – Somehow)