Quando a dor se ausenta

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É bem verdade que a dor de uma despedida castiga a alma. Principalmente, quando o “adeus” não é pronunciado e fica apenas subentendido pelas consequências da falta de atitude. Se livrar desse sofrimento não é uma tarefa a ser cumprida, pois não há formas racionais o suficiente para fazer o cérebro parar de pensar em quem não pensa mais em você. Mas, o lado otimista de tudo isso, se é que existe, é que o tempo realmente cura tudo… Até mesmo corações dilacerados.

O transcorrer dos dias, dos meses e, especialmente, da ausência, faz com que consigamos seguir nossas vidas rumo ao desconhecido que abriga um coração vazio. Quem muito se ausenta deixa de fazer falta. A saudade dói e castiga o peito logo no começo, mas depois de certo tempo, acabamos por nos acostumar com aquela conhecida dor da partida, e depois de mais um tempo, esquecemos até mesmo que um dia sentimos alguma dor.

O sofrimento vira um desconforto e o desconforto desaparece, se transforma em esquecimento.

No passado você pode ter amado, sofrido, chorado. Mas, tenha certeza que em breve, ou um dia ao menos, você se contentará em ver a foto daquela pessoa feliz ao lado de outra companhia. Quando a dor se ausenta, você fica apenas com a ligeira saudade do tempo em que sentia seu coração vivo.

Sofrimento exagerado

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Existem pessoas que se emocionam na medida certa. Se preocupam sem esbanjar nervosismo. Conservam os problemas junto de sorrisos. Eu sou diferente! Sou extremista com as emoções. Meu sofrimento é exagerado. É do tipo exacerbado. Desmedido. Choro, me desespero, e me descabelo. Deixo de viver diante de um problema. Respiro e transpiro preocupação.

Tudo bem! Eu sei que isso é errado. Provavelmente, meu corpo sofrerá as consequências por todos esses excessos. Mas, vou fazer o quê? Sou assim! Não sei fingir o que não sinto. Tão pouco consigo me desligar ou deixar pra lá tudo o que me incomoda.

Emoções sem medidas fazem parte de quem eu sou. Estão comigo desde o momento em que acordo – que por sinal é sempre cedo, porque não consigo ficar na cama enquanto existem tantas coisas para serem feitas! -, até o momento em que vou dormir. Isso quando não invadem meus sonhos e piores pesadelos.

Sei que minhas preocupações são exageradas. Tenho consciência de que só fazem mal para mim e também para as pessoas que me cercam. Mas, o que fazer quando a minha especialidade é criar tempestades em límpidos copos d’água?

Lágrimas

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Lágrimas são a ausência de palavras. São as frases que nunca foram ditas. Muito menos pronunciadas. São o manifesto independente da tristeza. A liberdade proveniente dos sentimentos que você conhece. E também dos que nunca pensou existir.

Com lágrimas a vida fica triste, meio melancólica. Sem elas, as alegrias perdem o brilho e o encanto dos momentos esporádicos de felicidade e contentamento. Com lágrimas o mundo desaba, parece quebrar. Sem elas, as tristezas não se exprimem, mas também nunca, jamais, chegam ao fim.

(Dominique Fricot – Out of the scenery)

Liberdade do sofrer

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Existem sofrimentos que são solitários. Ninguém conhece. Ninguém sequer entenderia. É o tipo de sofrimento bonito, daqueles que se vê em filmes. É o tal do sofrer calado.

Sei que você sabe do que estou falando. Todo mundo sabe. Não há ser humano no planeta que não tenha tido, uma vez sequer, que esconder algumas lágrimas. Não se trata de vergonha. E tão pouco de fraqueza. É uma questão de princípios e de respeito com o próprio sofrimento.

Certas dores não precisam ser demonstradas. Elas não querem ser objeto de pena. Não precisam de conforto. Elas só ficam guardadas para em momentos esporádicos darem o ar da existência.

Nem sempre é possível entender um sofrimento deste tipo. Alguns deles não tem lógica. Não estão embasados em nenhum fato concreto. Em determinadas ocasiões, nem há motivos para senti-los. Simplesmente sentimos. Como eu digo: Não dá para fugir quando as lágrimas exercem a liberdade de expressão.

(Michael Logen – Where you are)

Necessidade da dor

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Se fosse possível apagar todo e qualquer tipo de sofrimento, você o faria? A priori, possivelmente, a resposta imediata seria “Sim!”. Mas, chego a questionar se o esquecimento, neste caso, não iria de confronto a verdadeira razão de existência da dor que é a de nos tornar mais resistentes e aptos para enfrentar as batalhas diárias.

Pessoalmente acredito que, mesmo que fosse possível, não valeria a pena apagar a dor. Eu ao menos não desejo esquecer os meus sofrimentos. Eu preciso de cada um deles para me lembrar diariamente de quem eu sou.

As minhas dores são as responsáveis pela construção da atual versão desta Marceli que aqui vos escreve. Talvez isso soe como um masoquismo absoluto, mas as dores são mesmo essenciais para a vida.

(Tiago Iorc – Story of a man)

Sofrimento bonito

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Acho o sofrimento algo bonito. Parece sádica e completamente maluca a minha afirmação, mas eu acho mesmo. Vejo o sofrimento como algo bonito e poético, porque se trata de um dos sentimentos mais fortes que são expressos pelos seres humanos.

A dor pode ser causada pelo o amor, o ódio, o descontentamento, a decepção, a vaidade… Enfim, as razões são infinitas, indecifráveis, e muitas vezes até desconhecidas. Mas, se sofre, e isso é o inegável naquele dito momento em que se perde o controle da vida, e nada mais faz sentido.

Quando se sofre, não há como se esconder ou então fingir felicidade, simplesmente se sofre na mais pura verdade, na mais dura essência. Músicas não são capazes de alegrar, companhias, filmes, conselhos, promessas… Nada disso serve, nada disso funciona.  A dor é muito maior, é a constância daquele momento. E é isso que eu acho bonito no sofrimento. A verdade estampada na cara, nua e crua, visível, palpável nas lágrimas, no olhar vago, no semblante “down”. Tudo isso é um pacote completo de realidade, é a  sinceridade escancarada no extremo do sentimento.

(John Mayer – Shadow days)