Honestidade desonesta

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Honestidade: Você tem? Será que nos dias de hoje, onde prevalece o “se dar bem”, é possível que um ser humano sequer possa afirmar que é inteiramente honesto?

Acho difícil, mas vamos tolerar… Talvez, o problema não esteja nas pessoas propriamente ditas. A culpa pode ser do dicionário da língua portuguesa que coloca significados bons demais para uma única palavra. Sinceridade, honradez, decoro, pudor são qualidades excessivas para conviverem pacificamente juntas por uma vida inteira.

A honestidade, quem sabe, não é uma característica imutável dos seres humanos. Pode ser que ela seja apenas uma definição momentânea para um ação, ou pensamento específico executado em um momento determinado que tem hora para começar e, também, terminar.

Imagino que até devem existir pessoas mais honestas do que outras. Tudo isso contabilizado no número de vezes que ela costuma ser honesta, e subtraído pelos momentos em que a sinceridade seja encoberta pela falta de bom caráter.

O que entristece é que lá pelo fim das tantas a gente percebe que nada é o que parece, e que, talvez, toda a sinceridade, honradez, decoro e pudor nunca habitaram as pessoas que achávamos que conhecíamos, mas, que na verdade, não podemos nem imaginar quem são.

(Kris Allen – Live like we’re dying)

Dar a cara a tapa

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“Se confiança se vendesse nas prateleiras dos supermercados, não há dúvidas de que as filas seriam quilométricas”. Apesar das aspas estarem presentes não se trata do pensamento de nenhum grande filósofo ou pensador. São palavras de minha própria autoria, mas que apenas optei pelo uso dos sinais ortográficos a favor do necessário destaque.

Todo mundo sabe: Confiança não é nada simples de se conquistar. Podem passar anos, o mundo dar mil e uma voltas, e a confiança pode nunca ser descoberta. Confiar é, como bem diz o dicionário, “entregar (alguma coisa) a alguém sem receio de perder ou de sofrer dano.”.

Hoje em dia até parece que vivemos em um mundo em que confiar significa o mesmo que a expressão popular de “dar a cara a tapa”. Quando optamos por entregar nossa confiança a outra pessoa, estamos nos colocando a margem das possibilidades, a mercê das intenções que nos são desconhecidas.  

 Agora se me permitem uma opinião pessoal, mas muito bem definida, eu digo: Confiança só se conquista com sinceridade.

(Kelly Rowland – Kisses)

Verdades transparentes

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Sabe, ando pensando… Esse mundo é feito de mentiras, e eu sou feita de verdades. Não que eu nunca tenha mentido na vida, “o cara lá de cima” sabe o quanto já pequei neste quesito, mas… Ah, não sei, eu ainda sinto que mais importante do que nunca mentir, é fazer a verdade prevalecer dentro da gente.

Sei que as vezes as verdades parecem difíceis de acreditar, ou ainda diante de olhos e ouvidos maldosos elas podem ser distorcidas ou transformadas naquilo em que se quer provar. Só que, convenhamos, verdade é verdade…

Até pode parecer redundante, mas eu adoro sentir a sinceridade transparente das verdades. Claro, verdades só poderiam ser sinceras, só que existem mentiras tão bem contadas que até conseguem forjar o âmbito da transparência.

É uma pena que o mundo ande corrompido por tanta maldade e mesquinharias, porque sabe, ando pensando… Seria tão bom viver em um mundo onde só existem verdades…

(Breaking Benjamin – You)

Sinceramente pensando

Sinceramente pensando acho que não sou sincera com os meus pensamentos. Afirmação redundante? Sim, sem dúvida. Entretanto, real, sinceramente real.

Em alguns momentos sinto como se não pudesse ser verdadeira nem com o que se passa na minha própria cabeça. Mesmo sabendo que minhas ideias são abstratas e desconhecidas quando não saem do âmbito do pensamento, às vezes acho que é melhor escondê-las de mim mesma para evitar possíveis catástrofes e, quem sabe, desvios de conduta.

Mantenho a ideia de que se não se pensa, nada acontece e, assim, de uma maneira, digamos, confortável, a vida segue sem incidentes que possam atrapalhar a adorável e pacífica rotina. Soa como uma covardia. Na verdade, é uma covardia, mas ao menos é uma covardia racional, totalmente premeditada para se tirar proveito dela. Este é o ponto positivo.

O negativo é que evitando pensamentos, evita-se a verdade e, querendo ou não, deixa-se de lado o que é importante. Mas, fazer o quê? Se este é o preço que se paga pela sanidade, o jeito aceitá-lo em pró de bens maiores, não é mesmo? É claro que este pensamento pode ser meramente figurativo, criado e exposto para expressar algo que não quero nem pensar, quanto mais compartilhar com meus parcos leitores. Porém, quem pode saber se até eu mesma finjo que nada sei?

(Mario feat. Fabolous – The walls )

Sinceridade evitável

Fico pensando na sinceridade e só o que me ocorre é a certeza de que ela é realmente uma dádiva dos deuses. Afinal, quem senão um Deus ou algo próximo a tal patamar pode ser o tempo inteiro sincero sem restrições ou exceções? Difícil, heim?

Não pensem que sou do tipo enganadora que lança mentiras ao mundo sem escrúpulos ou culpa. Eu sou verdadeira e tenho lampejos significativos de sinceridade. Mas, o tempo inteiro? Sem chance! Tenho amor à vida, aos relacionamentos diários e, inclusive, a mim mesma. Não se pode ser absolutamente sincero hoje em dia. Isso destruiria a harmonia da vida.

Ser tão sincero seria no mínimo loucura, talvez, até suicídio. Imagine se eu fosse sincera e falasse o quanto me irrita o barulhinho que algumas pessoas, não vou citar nomes, fazem quando tomam sopa? Ou ainda, como fico nervosa quando a palavra “loiça” é pronunciada no lugar de “louça”. E, se eu resolvesse dizer que uma roupa definitivamente não caiu bem em uma conhecida? Credo, eu seria açoitada verbalmente e, me desculpem a sinceridade, mas eu prefiro fazer o gênero “falsa” em certos momentos. Algumas sinceridades precisam ser restritas aos nossos próprios pensamentos em nome da boa convivência.

(India.Arie – Ready For Love)

10 verdades incontestáveis

Hoje acordei com vontade de fazer confissões. Por algum motivo incapaz de ser racionalizado no exato momento (talvez pelo fato de eu estar morrendo de sono ao escrever o post), me veio o pensamento de que é imprescindível que, vez ou outra, a gente revele verdades incontestáveis sobre nós mesmos. Nada do tipo egocêntrico, por favor! Apenas verdades que possam ser libertadas do perímetro da vergonha ou do medo, e se aliviem pelo mundo a fora.

Acredito que a partir do momento que contestamos realidades sobre quem somos, passamos a nos conhecer melhor e, mais importante do que isso, torna-se mais fácil nos aceitarmos do jeitinho que somos, sem tirar e nem pôr. Sem máscaras ou quaisquer outros tipos de disfarces. Por isso, lá vão as minhas verdades:

  1. Quando criança eu achava que capivara voava. Meus irmãos falavam “Olha lá a capivara, Marceli!” e, eu, com toda a minha inocência, olhava para cima procurando aquilo que eu pensava se tratar de um passarinho. Só fui descobrir que elas não tinham asas lá pelos quatorze anos de idade;
  2. Não sei exigir o que é meu por direito. Para exemplificar, se eu for numa padaria e me voltarem menos troco do que eu deveria receber, não vou reclamar. Não sei fazer isso;
  3. Costumo ter mais vergonha das pessoas que conheço do que de completos estranhos;
  4. Sou apaixonada pela música “Lua de cristal” da Xuxa (e, sim, eu sonhava em ser paquita);
  5. Sou altamente complexada com pessoas rindo perto de mim. Sempre acho que tem algo de errado comigo;
  6. A primeira lembrança que tenho do meu pai na infância é a dele me dizendo que as árvores sempre nos seguem, que elas andam atrás da gente quando não estamos olhando. Eu ainda sinto que isso é verdade;
  7. Existem certas noites que eu tenho tanto medo do escuro que durmo com a luz acessa e no dia seguinte digo que fiz isso na tentativa de espantar os mosquitos;
  8. Tenho sérias dificuldades para falar o que sinto pelas pessoas. Minha avó morreu sem eu dizer uma única vez a ela que a amava, e ainda me entristece muito pensar nisso;
  9. Sou uma das pessoas mais desconfiadas do planeta. Talvez “A” mais desconfiada. Consigo inventar possibilidades astronômicas para explicar porque alguém demorou dois minutos para me responder no MSN por exemplo;
  10. A minha “penca” de marrenta, metida e inalcançável esconde meus maiores defeitos: o medo de quase tudo e uma insegurança do tamanho do universo.

Vergonhosas ou não, eis as minhas verdades que não quiseram se calar. E as suas, quais são?

(Música: Xuxa – Lua de cristal)