Liberdade do sofrer

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Existem sofrimentos que são solitários. Ninguém conhece. Ninguém sequer entenderia. É o tipo de sofrimento bonito, daqueles que se vê em filmes. É o tal do sofrer calado.

Sei que você sabe do que estou falando. Todo mundo sabe. Não há ser humano no planeta que não tenha tido, uma vez sequer, que esconder algumas lágrimas. Não se trata de vergonha. E tão pouco de fraqueza. É uma questão de princípios e de respeito com o próprio sofrimento.

Certas dores não precisam ser demonstradas. Elas não querem ser objeto de pena. Não precisam de conforto. Elas só ficam guardadas para em momentos esporádicos darem o ar da existência.

Nem sempre é possível entender um sofrimento deste tipo. Alguns deles não tem lógica. Não estão embasados em nenhum fato concreto. Em determinadas ocasiões, nem há motivos para senti-los. Simplesmente sentimos. Como eu digo: Não dá para fugir quando as lágrimas exercem a liberdade de expressão.

(Michael Logen – Where you are)

Troca-a-troca

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É muito fácil dizer “Eu te amo”, “Vamos morar juntos?”, e “Seremos felizes para sempre”. Difícil é cumprir promessas quando a realidade vai de desencontro dos sonhos e de todas aquelas eufóricas expectativas iniciais. O sentimento, os bons e verdadeiros, conseguem aturar muitas situações, mas o descaso pode existir e fornecer margem para a indecisão.

Quando não existe sentimento, prevalece a substituição. Esta é a regra generalizada dos relacionamentos ditos como “amorosos”. Se o amor não é puro, e se há espaço para as dúvidas, não há como se evitar o inevitável: a troca-a-troca descabida e impensada de parceiros.

A busca descompassada pelo “par ideal” induz a perda de valores, da educação, e do bom senso. Perde-se tudo o que há de bom, e fica apenas a hipocrisia das desculpas esfarrapadas, e a dor do “eu te amo” que, de verdade, nunca existiu.

Pensamentos sofredores

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Há pensamentos que me entristecem, nem são os fatos, a realidade que bombardeia o presente. Tem vezes que nada acontece, a normalidade prevalece, mas ainda assim os meus pensamentos me deixam triste. Eles encontram um jeito, uma maneira simples, boba, de fazer as lágrimas rolarem e o olhar triste sobrepor todos os momentos felizes.

Isso já aconteceu com você?

É como canta Renato Russo em Via Láctea “Eu nem sei por que me sinto assim, vem de repente um anjo triste perto de mim”. Não há explicação, não há razão. A tristeza vem e parece tomar conta não do corpo, mas da alma. Ela assola, oprime o coração, e aí só restam as músicas depressivas no mp3 e os pensamentos melancólicos da tristeza. Nestas horas, por favor, “Não me dê atenção, mas obrigada por pensar em mim…”.

(Renato Russo – Via Láctea)

Sublime dom

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Vire e mexe eu volto para o mesmo assunto, o mistério dos mistérios, a sempre presente teorização sobre o que não há explicação: o sublime amor. Acredite, não me falta criatividade quanto aos temas da escrita, apenas insisto conscientemente em bater nesta mesma tecla porque pensar sobre o amor para mim não é repetitivo, ao contrário, sempre me abre os olhos para novas descobertas.

O que é o amor senão a superação? Hoje, a ideia que me ocorre é a de que o amor é a exata superação de todas as fraquezas humanas. O amor é o perdão, é vencer os preconceitos, ver mais do que aparências, é esquecer os medos e ir além do óbvio e mesquinho. Amar alguém é buscar novos horizontes, se permitir ao inimaginável.

O amor perdoa, se entrega, não tem medos e não conhece limites ou fronteiras. O amor não busca títulos, e não se esconde atrás de segundas intenções. O amor não enxerga se você é magro ou se está acima do peso, não sabe o que é bonito ou feio. O amor não julga, não prende, não maltrata, não mente, não trai, não te faz mal algum, e jamais acaba.

O amor cuida, preserva, se doa, se entrega, o amor é incondicional, é a superação… O amor não é um sentimento humano, ele vem da alma. O amor é um dom.

(Mario – Bed love)

Paixão ou segurança?

Na profunda discussão a cerca de escolher-se entre a paixão e a segurança, eu me posiciono no exato lugar onde se demarca o “não sei”. Não faço ideia mesmo com qual dos dois ficar. Se por um lado a segurança é segura, por outro a paixão é apaixonante e, entre uma redundância e outra, as duas me parecem necessárias em específicos momentos. Portanto, não! Não sei mesmo!

Gostaria de poder dizer que é fácil se contentar com a segurança. Ela é tranquila e não te dá dores de cabeça, não causa estresses. Mas, qual o sentido de uma vida sem aventuras, sem a constante montanha russa que é a paixão? Parece-me não fazer sentido viver sem expectativas, sem medos, sem brigas. E, para uma pessoa sedenta por acontecimentos inusitados, me soa um tanto quanto monótono viver a margem de águas tão pacíficas.

Portanto é claro que sou adepta a paixão, ao fogo, ao momento! Gosto do frio na barriga e daquele sentimento de não saber pra onde se está indo e adoro a possibilidade de quebrar a cara mais uma vez, por mais que eu odeie a dor propriamente dita da consequência de se quebrar a cara. Mas, entre dores, desamores e ilusões, prefiro sofrer a ficar inerte diante da segurança escolhida para a minha própria vida. Ao menos é isso que penso teoricamente, a prática costuma beirar aos lampejos de conforto e estádia. Mas, falo do que prefiro e não do que faço, então fico com a paixão, aquela que arde mesmo sem se ver.

(Craig David – Unbelievable)

Somos o que sentimos

Pergunta do dia: As atitudes são diretamente influenciadas pelos sentimentos, ou seriam os sentimentos os responsáveis por tamanha influência?

Minha conclusão particular é a de que independente da ordem dos fatores, as pessoas mudam de acordo com o que sentem. É fácil perceber: Basta observar alguém sorrindo para vida, com o predomínio dos olhos brilhando e com um otimismo contagiante mesmo em momentos de estresse para perceber que a paixão é a responsável por tal comportamento. Da mesma forma, também é perceptível quando alguém está preocupado com alguma coisa. Nestes casos, a pessoa fica dispersa, com a cabeça muito longe das atividades cotidianas e geralmente com uma inegável irritação. Portanto, sim, posso dizer que as pessoas são o que sentem.

Defendo a ideia de que os seres humanos são constituídos em grande parte pela experiência acumulada ao longo dos anos e, não é necessário ir muito longe para perceber que estas experiências são consequências dos sentimentos que conservamos diante de determinadas ações cotidianas. Sendo assim, tudo o que passa dentro do nosso mais íntimo interior nunca está tão bem escondido por se exteriorizar em cada gesto repercutido diante da vida.

Não se pode esconder o que se sente da mesma forma que não se pode fingir ser quem não é… Ao menos não por muito tempo…

(India.Arie – Ready for love)