Sensações

Existem sensações que são indescritíveis, entram e abalam o nosso dia a dia sem nenhuma explicação ou razão para existirem. Simplesmente mudam tudo, e, inclusive, a nossa própria percepção do caráter alheio.

Sempre mantive convicta a ideia de que o nível de felicidade ou tristeza que sentimos é diretamente proporcional à sensação que outras pessoas nos transmitem. (Tudo isso partindo de um ponto de vista que encara a influência de outras pessoas nas nossas próprias vidas.) Desta forma, as sensações que sentimos quando estamos junto de outras pessoas vão influenciar o nosso humor e as nossas experiências cotidianas.

Por isso que acabamos selecionando as nossas companhias. Quando gostamos das sensações sentidas junto de certas pessoas, fazemos todo o possível para estreitar os laços e fazê-las mais presentes no nosso dia a dia. Da mesma forma que quando não nos sentimos bem com os olhares, comentários ou ações de outras pessoas, simplesmente as evitamos e não as queremos por perto.

No final das contas, o mundo me parece ser criado de sensações positivas, negativas, que se agrupam e se repelem. E cabe somente a nós sentir cada uma delas e selecionar as mais fraternas para as nossas vidas.

(Pitt Broken – Bad romance)

Sirenes internas

Sabe quando uma ambulância se aproxima costurando o trânsito, com pressa, obrigando todos os demais veículos a abrirem caminho? Pois é… Neste exato momento é impossível não pensar que a vida de uma ou mais pessoas está prestes a ser marcada de uma maneira que pode até ser fatal.

Tal como a sirene da ambulância que soa estarrecidamente pelas ruas anunciando desgraças de uma vida alheia, eu acredito que cada um de nós possui uma espécie de alarme interno que grita sempre que algo ruim está para acontecer. Sequer é preciso ouvir altos níveis de decibéis para perceber isso.

Geralmente, os avisos são tão sutis que passam despercebidos. Uma dorzinha fraca, um aperto no peito, agonia repentina, mal humor sem razão de existir ou até mesmo um pressentimento negativo. Mas, mesmo com todas estas formas gritantes de “sirenes” muitas são as vezes que deixamos as sensações passarem despercebidas.

 O ser humano parece ainda não ter desenvolvido a habilidade (ou boa vontade) de dar razão aos seus sextos, sétimos sentidos. O que é uma pena, eu diria. Se direcionássemos importância a todas estas sirenes internas, possivelmente, muitos problemas seriam evitados e viveríamos um pouquinho mais em paz com nós mesmos. Quem sabe um dia a gente chegue lá…

 (Música:  Danity Kane – Damaged)

Atração

Ao pensar sobre a minha reação diante do tal fulano que maltratou o cachorrinho, cheguei a uma conclusão talvez óbvia, mas certamente reveladora. Percebi que ações ruins atraem sentimentos ruins da mesma forma que atitudes boas trazem sensações de paz e harmonia.

Por alguma razão meio que desconhecida, existe uma lei de atração forte o suficiente para comandar as nossas vidas. Acho que tudo o que sentimos e pensamos é um reflexo perfeito do meio em que vivemos. Os pensamentos das pessoas que estão a nossa volta, suas energias e atitudes parecem funcionar (ao menos dentro desta minha concepção) como pontos de partida para as sensações que temos diariamente.

Ora, se alguém está estressado ao meu lado, eu fico estressada. Se está triste, me sinto pra baixo, meio desanimada e assim sucessivamente. Por isto acredito que as pessoas são capazes de influenciar o humor de quem está por perto ou daqueles que se permitem envolver.

Considero impossível, ou talvez muito difícil, não se deixar levar pelas sensações de todos os que nos rodeiam. Eu mesma mal consegui controlar minha raiva diante de um cachorrinho sendo maltratado. E, conduzindo meus sentimentos desta forma, ao desejar o troco “na mesma moeda” para o individuo que fez tamanha barbárie, acabei por me deixar influenciar pelas suas emoções. Por uma fração de segundos, eu me igualei a ele. Sinceramente, não acho isso nada bom.

Posso afirmar com todas as letras que ele estava errado ao judiar de um animal indefeso que, muito provavelmente, só procurava uma forma de garantir a sua sobrevivência. Entretanto, eu também tenho a minha parcela de culpa ao me deixar envolver por todo o clima ruim da cena presenciada. Não deveria ter sentido o que senti e nem desejado o mal para o rapaz. Por isso acho que o melhor a se fazer é corrigir os meus próprios erros e depois, quem sabe, tentar mudar o mundo.

(Música do dia: Armandinho – Outra vida) <— Lindaaaaa essa música!

Sem questionamentos!

Apesar do meu mal humor matutino e de ter acordado em completo desastre em meio a uma gripe que eu acho que vai me derrubar, eu estou feliz. Não tem aqueles dias que a gente se sente esperançosa sabe-se lá por qual motivo? Estou vivendo um desses!

É meio como se uma sensação de paz resolvesse se mudar para dentro de mim sem aviso prévio. Me sinto tranquila, otimista, de bem com a vida.

Não sei a razão para tais sentimentos tão pacifistas. Apenas acordei assim e não tenho por que reclamar de algo tão bom, não é?!

Penso que as pessoas tem a triste mania de querer acabar com a sua própria felicidade a partir do momento que tentam racionalizar aquilo que é não compreendem. Devo admitir que também fico tentada a pensar nos “porquês e pra quês?”, mas tento me controlar. Não vejo motivos para fazer isso. Nem tudo na vida precisa ter uma explicação inteiramente plausível. Acho que é isso que faz ter graça viver.

Por isso, hoje especificamente, não quero tentar entender o por que de eu estar me sentindo tão bem. Apenas quero aproveitar a felicidade enquanto ela esteja viva dentro de mim.

(Música do dia: Norah Jones – Those sweet words)

Pé esquerdo

Tem dias que levanto com o pé esquerdo. Na verdade, com o direito também, mas imagino que tenha dado para entender a expressão.

Logo ao acordar já vem aquela sensação de que algo não está certo, ou que não vai dar certo. Um pressentimento misturado com angústia que faz com que eu fique meio ressabiada o resto do dia. Dividida entre querer acreditar que tudo vai melhorar e meio que esperando que algo ruim se concretize mesmo.

Geralmente isto acontece quando tem algo me incomodando ou preocupando. E, de fato, estas duas palavras tem assombrado meus últimos dias como já deve ter dado para notar em posts anteriores. Eu tento espantar tudo isso, ligar o som tocando uma música alegre. Não tenho certeza que isto faça resultado… Ao menos tento!

Parece que o clima, mesmo que composto no dia de hoje por sol e calor, fica pesado. Carregado de alguma energia ruim que me abraça e contagia. Eu até realizo as tarefas diárias, mas não é a mesma coisa. É como se tivesse algo que insistisse incansavelmente em me botar para baixo.

É muito difícil recuperar o humor e alegria em um dia como hoje. Acho que o único jeito é esperar que venha a noite, e chegue a hora de dormir (que, por sinal, será antecipada), para que tudo possa começar melhor em um novo amanhecer.

(Música do dia: Evanescence – Sweet sacrifice)

Pedacinhos de Marceli

Você já se sentiu excluído(a) por alguma situação, atitudes ou… sei lá?

Eu às vezes me sinto assim. Não é sempre, na verdade, é algo muito raro. Mas, sem dúvida, oprime o peito de uma forma que faz compensar por todo o tempo que este sentimento se manteve distante.

Me faz pensar que talvez eu não seja boa o suficiente para certas coisas. Ou que, na melhor das hipóteses, aquele não é o meu lugar. Me sinto desnorteada, meio perdida e muitooo angustiada. Até disfarço certo conforto e simpatia quando tudo isso me envolve, mas, admito que não sou muito convincente.

Sempre me preocupo demais com o que as pessoas pensam sobre mim. Não creio que isto seja uma boa característica minha, porém é algo que não sou capaz de evitar ainda. O julgamento dos outros acaba, geralmente, se tornando meu próprio julgamento. E, se não sou boa aos olhos alheios, não me sinto merecedora de determinadas “honras” e tudo a que as competem.

É muito esquisito tudo isso e até soa como uma neurose minha e querer ser perfeita em tudo o que faço e estar incluída em todas as esferas do globo. Acho que isto aos poucos vai destruindo pedacinhos de Marceli. É muito duro, muito difícil e cansativo demais buscar a perfeição em tudo… Não sei se aguentarei por muito tempo.

(Música do dia: Jimmy eat world – May angels lead you in)