Quando a dor se ausenta

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É bem verdade que a dor de uma despedida castiga a alma. Principalmente, quando o “adeus” não é pronunciado e fica apenas subentendido pelas consequências da falta de atitude. Se livrar desse sofrimento não é uma tarefa a ser cumprida, pois não há formas racionais o suficiente para fazer o cérebro parar de pensar em quem não pensa mais em você. Mas, o lado otimista de tudo isso, se é que existe, é que o tempo realmente cura tudo… Até mesmo corações dilacerados.

O transcorrer dos dias, dos meses e, especialmente, da ausência, faz com que consigamos seguir nossas vidas rumo ao desconhecido que abriga um coração vazio. Quem muito se ausenta deixa de fazer falta. A saudade dói e castiga o peito logo no começo, mas depois de certo tempo, acabamos por nos acostumar com aquela conhecida dor da partida, e depois de mais um tempo, esquecemos até mesmo que um dia sentimos alguma dor.

O sofrimento vira um desconforto e o desconforto desaparece, se transforma em esquecimento.

No passado você pode ter amado, sofrido, chorado. Mas, tenha certeza que em breve, ou um dia ao menos, você se contentará em ver a foto daquela pessoa feliz ao lado de outra companhia. Quando a dor se ausenta, você fica apenas com a ligeira saudade do tempo em que sentia seu coração vivo.

Mãezinha, parabéns!

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Hoje fazem tantos 9 meses, 277 dias, e 10 horas que minha mãe se foi para longe do alcance do meu abraço. Não que eu esteja contando o tempo dia após dia mas, por um momento, pensei que tal contabilidade poderia expressar o tamanho da minha saudade… A verdade é que não pode, de forma alguma poderia. Minha saudade é muito maior do que meses, dias ou até mesmo décadas. Minha saudade é compatível com o tamanho do amor que minha mãe dedicou a minha vida, a dos meus irmãos e de todas as pessoas que cruzaram o seu caminho.

 

Juro que já não choro mais como antes. Hoje é uma exceção. Como dizer “não” as lágrimas quando elas são as únicas companheiras capazes de extravasar o verdadeiro sentimento que carrego no peito? Não, não há maneiras capazes de impedir o sofrimento da perda. Porém, hoje me permito chorar e também me permito rir ao lembrar dos incontáveis momentos que Deus me permitiu conviver ao lado de minha mãezinha.

 

Este é o primeiro Dia das Mães que passo sem ela.
No ano passado, quando ela ainda estava aqui, lembro que pude acordar cedo, comprar uma flor, sentar ao lado dela na cama, abraçá-la e dizer “Eu te amo, mãe!”. Neste ano será diferente, mais vazio e eternamente mais triste. Mas tudo bem! Entendo que o “Cara Lá de Cima” também precisa de boas companhias.

 

Ontem fui em uma floricultura e me veio à memória todas essas recordações. Não pude deixar de pensar na minha mãe ao ver cada arranjo de flores. Olhei todos, pensei, escolhi, mudei de ideia e acabei trazendo para casa um arranjo pequeno e delicado com uma única rosa com pétalas coloridas. Sinceramente não sei como conseguiram mexer com a genética da rosa para deixá-la cheia de cores, mas para mim ela representa muito bem à alma multicolorida de minha mãe, com cada cor representando suas características: benevolência, otimismo, força, fé, alegria, tranquilidade, espontaneidade, dedicação, paciência, abnegação, e acima de tudo, AMOR.

 

Mãe, eu sei que não sou capaz de te enxergar agora, mas tenho absolutamente convicção de não podes estar longe, porque hoje é Dia das Mães, é o dia daquela mulher batalhadora que se virou – sabe Deus como – para cuidar de seis filhos. Hoje é o SEU dia minha mãe, e eu daria tudo o que tenho na minha vida só para te abraçar novamente e dizer “Eu te amo mãe, sabes disso né?”.

Vida que segue

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É triste, mas as vezes também é bom. A vida segue e nada pode mudar isso. As pessoas aparecem, marcam existências, se tornam inesquecíveis, e depois somem até sem dizer nada, sequer um adeus. Vão para longe, findam-se no tempo, deixam lembranças e corações apertados. É triste porque ficam as saudades, mas é bom porque deixam marcas únicas que nos ajudam a construir quem seremos pelo resto das nossas vidas.

É como muito bem diz Caio Fernando Abreu:

“Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer à tona, o que o coração vive tentando deixar para trás.”

(Ne-Yo- So you can cry)

Saudades infinita

Nunca achei que fosse tão difícil ficar longe da minha família. É claro que já esperava sentir a falta de todos e, eventualmente, me sentir sozinha por já estar acostumada em sempre ter alguém por perto. Mas, a verdade, é que a saudade que sinto hoje é incalculavelmente maior do que eu sequer poderia imaginar um dia.

Sinto falta das coisas pequenas como jogar conversa  fora entre um cafézinho e outro, das conversas e risadas com minha irmã caçula, e até sinto saudade dos escassos momentos de silêncio da minha casa. Por incrível que pareça, o silêncio de lá parecia mais cheio de vida do que o que ouço por aqui.

É tudo tão estranho, tão diferente que tenho medo de nunca me acostumar. Dizem que as coisas novas quando repetidas acabam virando rotina, mas eu já chego a pensar que não há como mudar quem somos de verdade. E eu, mesmo agora adotando um sobrenome extra, ainda sou a mesma Marceli que morava no antigo endereço. Uma Marceli que morre de saudades de cada mísero segundo compartilhado com a sua família.

(Ne-Yo – Take a bow)

Saudade crescente

Dizem que só sentimos saudades daquilo que já possuímos um dia e, no presente, não temos mais. Faz todo o sentido, claro… E hoje, mais do que nunca, entendo o motivo.

Pode parecer um sofrimento por precipitação, e o é de verdade, mas já estou sentindo a agonia da saudade antes mesmo de viver a falta da minha família e da minha rotina de solteira. Já sinto falta das conversas sobre tudo e sobre nada com minha mãe, das brincadeiras com meus irmãos e até das reclamações do meu pai. Estou sentindo falta da vida que levo, apesar de ainda vivê-la no meu cotidiano.

Em pouco menos de um mês a minha vida vai mudar completamente. Não será uma mudança ruim, logicamente. Mas, será diferente… E, para alguém como, até as mudanças positivas trazem o sofrimento da adaptação.

Sinto falta de tudo, de todos, de cada minuto compartilhado com as pessoas que mais me conhecem neste mundo. Sei que esta saudade ainda aumentará muito mais, por isso desde já escrevo sobre ela com a única esperança de acalentar uma dorzinha crescente que invade meu peito… Mas, vai passar… Espero que um dia passe…

(Randy Edelman – The slea head cliffs)

Quando a saudade acontece

Não tenho certeza se já escrevi sobre isso, mas de qualquer forma, gostaria de salientar minhas palavras novamente porque as considero relevantes no momento. Perdoem-me a possível repetição, mas eu realmente acredito que a saudade é um dos sentimentos que mais aproxima as pessoas, assim como a distância física também.

Parece incoerente ao extremo fazer tal afirmação. Mas, se o pensamento for levado em reflexão por não mais do que alguns instantes, será possível compreender onde estou tentando chegar.

Pense em todas as vezes que você gostaria de ter alguém muito perto, próximo o suficiente para sentir a sua respiração e ver o reflexo das luzes nos olhos da outra pessoa. Entretanto, por alguma razão, a distância que separavam dois corpos fazia com tudo isso não deixasse de ser apenas uma amarga utopia. Pense na saudade, naquela falta imensa que só quem gosta de verdade é capaz de sentir. E, quando todas estas lembranças ecoarem na sua mente, lembre-se do quanto você se sentiu próximo da pessoa do seu desejo, como em alguns momentos pode senti-la de forma tão intensa a ponto de conseguir imaginar os seus pensamentos.

Quando você chegar a estas ideias, não adianta mais ter medo e tão pouco querer negar um sentimento. Ai já é tarde demais, o gostar, o adorar, a paixão, o amor ou sabe-se lá qual definição utilizar, já aconteceu. E, então, só existirá espaço para o desejo que só cresce quando estamos distantes, mas queremos estar próximos.

Quando a saudade acontece não é mais possível fugir, nem tentar se esconder porque a realidade se faz límpida diante da falta de outro ser, e sempre, sem hipérboles ou exageros, mostra a verdade sobre o que sentimos no nosso mais profundo interior.

(Marilyn Manson – Coma white)