Velha de cabelos brancos

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Um dia ficarei velha de cabelos brancos e continuarei acreditando em milagres e que no futuro tudo será diferente. Também continuarei cometendo os mesmos erros, derrubando tudo no chão, esbarrando em paredes, dando bicudas em sacos de pancadas e murros em pontas de facas…

Me conservarei escondendo as saudades infinitas, fingindo não me importar com o que pensam de mim, criando planos mirabolantes em pensamento e fazendo tudo ao contrário na vida real.

Um dia, sim, eu ficarei velha de cabelos brancos e ainda permanecerei amando escondido, desejando o que não posso e fazendo o que não quero. Continuarei olhando para o céu imaginando o impossível e exercitando minha paixão por escrever sobre tudo o que sou e também sobre quem eu gostaria de ter sido um dia.

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Imprevisível

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Por mais que a sua vida esteja repleta de problemas… Por mais que o mundo insista em desmoronar sobre a sua cabeça, tudo sempre se resolve. Geralmente, a resposta para os seus problemas não é aparente. Ela costuma se esconder entre os confins das preocupações. Mas, sempre, sempre mesmo, existe uma solução.

É possível que leve um tempo as coisas se resolverem. Provavelmente, também existirão estresses, pressões de todos os lados e uma dose extra de negativismo. Mas, se serve de consolo, cedo ou tarde tudo sempre fica bem. A tempestade passa e cede espaço para dias melhores. Quando você menos esperar, estará olhando para trás e se deparando com o pensamento: “Nossa, nem acredito que passei por tudo isso e superei”.

A vida é assim mesmo: Preocupante. Pacífica. Triste. Feliz. E, sempre imprevisível.

Tenho pena

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Tenho pena de quem sequer uma vez na vida não tomou um banho de chuva por vontade própria, sem se preocupar com roupas, sapatos ou celular. Também sinto pena de quem nunca parou para admirar as estrelas e ficou imaginando que tipo de vida o universo pode abrigar.

Tenho pena das pessoas que tentam ser “certinhas” demais. Lamento por aqueles que fazem da vida uma obrigação, tal como uma tarefa a ser cumprida.

Tenho pena de quem nunca fugiu dos conselhos sensatos. E, também de quem nunca conheceu a dádiva do improviso.

Tenho pena de quem não tenta superar os seus medos. De quem se contenta com o comodismo. Não arrisca. Não sai da rotina. Tenho pena de quem existe, mas simplesmente não vive.

A volta dos pensamentos

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Pensamentos podem ser de muitos tipos, formas e significados. Podem ser corriqueiros ou constantes. Existem, inclusive, pensamentos que se repetem esporadicamente, talvez com o propósito de nos fazer pensar sobre os ciclos contínuos da vida. Quer um exemplo?

Todos os anos em época próxima ao seu aniversário, você tem o mesmo tipo de ideia. Deve afirmar para si mesmo que a data é como outra qualquer. Não vê graça em comemorar o simbolismo de ficar mais velho. Você, possivelmente, deve refletir sobre a sua função na Terra, sobre  tudo o que fez, e também sobre tudo o que poderia fazer.

Então, chega o Natal e, como em todos os outros anos, você pensa em fazer o bem ao próximo. Resolve fazer doações, dedicar o seu tempo a uma causa nobre. Então o ano acaba, outro se inicia e os pensamentos surgem. Somem. Se repetem dia após dia. De ano em ano. Seguem um ciclo sem fim.

(Ne-Yo – Real thing)

Momentos: Registrar ou viver?

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Todo mundo fala e acho que todo mundo sabe sobre a importância de aproveitar o momento, o tal do “carpe diem”, como dizem em latim. Existe a consciência coletiva de que a vida é curta, passa rápido demais e por isso precisamos nos “agarrar” a todas as experiências possíveis.  O que ninguém sabe é como fazer isso…

As pessoas perdem tempo demais com futilidades descartáveis. Em vez de curtir a natureza, de aproveitar um jantar, uma boa companhia, os momentos escassos com alguém importante, nos concentramos em tirar fotos. É quase como se o ato de registrar o momento significasse tanto ou mais do que vivê-lo.

Em meio a caras e bocas, flashes e poses, esquece-se de aproveitar a vida. Preocupa-se com o cabelo, com a roupa repetida em duas fotos seguidas, com a abertura ideal do sorriso, e com tantos detalhes insignificantes que o momento passa e, quando se dá conta, já acabou e não volta mais.

Por onde anda toda a ideologia do “carpe diem”? Onde se escondem os propósitos da vida diante de uma câmera digital?

(Jamie Cullum – All at sea)

Relacionamentos

Existem aqueles fáceis, desinteressados e despretensiosos. Também há os difíceis de conviver, complicados de lidar e agradar. Outros, para provocar a confusão mental, são as duas coisas ao mesmo tempo. E, no geral, relacionamentos são assim: diferentes, únicos e geralmente imprevisíveis.

Por mais que existam fórmulas não tão secretas que, se seguidas a risca, garantem o sucesso, livros de autoajuda e conselhos psicológicos (ou psiquiátricos), é complicado mesmo lidar com os mais diferentes tipos de pessoas nos seus respectivos interesses. Seja com o marido, namorado, amigo, mãe, pai, avó ou cachorro, a gente sempre bate de frente e vez ou outra até quebra a cara no momento da convivência.

Mesmo que existisse uma espécie moderna de manual, os relacionamentos não se tornariam simples. As palavras faltariam para descrever todo e qualquer tipo de personalidade exposta nos seus mais diversos “habitats”. E, até se fossem criadas regras e exemplos de conduta, não seria possível abranger a totalidade das possíveis situações que se sucedem no dia a dia.

Relacionamentos são isso mesmo. Uma inconstância contínua, uma completa ausência de rotina, complicações do caminho, insegurança e medo. Sobretudo são relacionamentos, que assim como a vida, são sempre inconstantes e suscetíveis às mudanças.

(Música: Howie Day – Perfect time of day)