Saber para quê?

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Existem coisas que ninguém sabe ao meu respeito. Em primeiro lugar porque eu jamais as revelaria, e em segundo porque ninguém teria interesse em saber. Afinal, uma pessoa não pode ser interessante o tempo inteiro, e nem tudo o que tenho a dizer sobre mim despertaria curiosidade ou seria digno de louvor.

Ninguém sequer imagina todos os sonhos que guardo no coração, ou as lágrimas camufladas pela força ou por simpáticos “Eu vou bem, obrigada”. Sou mestre em disfarces, e desde cedo aprendi a agradar as pessoas fornecendo respostas positivas sobre meu estado de espírito.

Quem poderia se dar ao trabalho de descobrir se o meu humilde mundo não está desabando naquele momento?  Ou se por trás de atitudes existem sentimentos completamente contraditórios?

A verdade, sendo bem sincera, é que assim como os outros eu também não me dedico a tarefa de descobrir tudo o que se passa por trás das aparências. É infinitamente mais simples se contentar com o que as pessoas dizem estar sentindo. Apesar de, eventualmente, adorar investigar as razões do comportamento humano, não vejo por que fazer perguntas como “Está tudo bem mesmo?” toda vez que eu cumprimentar um conhecido. O desinteresse faz parte da vida social.

Quando ninguém observa

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Tem coisas que você faz quando ninguém te enxerga. Quando pensa que não há um ser sequer a lhe observar. Então, você libera seus instintos. Dá asas à liberdade. Se permite viver de fato a atual existência sem pensar em nada. Não analisa as possibilidades dos julgamentos. Não pondera os prós ou contras. Não pensa e repensa uma simples ação. Apenas vive sem medo e sem vergonha. É nestas horas que a verdade se revela e você se permite ser quem verdadeiramente sempre foi, mas que também sempre lutou para esconder.

Momentos como este são escassos. As circunstâncias necessárias para a liberdade de um espírito são complicadas de serem alcançadas, pois dependem não apenas de encontrar “A” oportunidade, mas também de identificá-la em meio ao tumulto do cotidiano.

As amarras que nos prendem as convenções são tão profundas que se fazem incompreendidas. Nos impedem de fazer quase tudo e muitas vezes sequer é possível compreender a razão de existirem. “A vida é como é”… Desta forma nos contentamos. E a indagação sede espaço para o comodismo de se habitar uma vida sem saber por que ela precisa ser desta forma vivida.

Quando o silêncio fala

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O silêncio as vezes fala. Grita! Diz tanto que chega a perturbar. Não se houve uma palavra. Sequer sente-se um indício de respiração. Mas, é fácil ler entre as entrelinhas. Captar a mensagem não exige sinais sonoros.

O silêncio fala quando ninguém lhe retorna uma ligação. Quando a caixa de entrada dos e-mails fica vazia. Quando não há recados e nem presença. É nestas horas que você sabe que não adianta fazer nada. É como o velho ditado: Quando um não quer, dois não brigam.

Não vale a pena lutar contra o silêncio simplesmente porque ele não existe. Você pode camuflá-lo cantarolando ou ocupando o tempo. Pode fingir que não se importa. Mas, no fundo, todo mundo sabe o quanto incomoda a falta daquilo que nunca foi dito.

(Pink – Try)

Sentir-se amado

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Amar é fácil. Não tem lá grandes mistérios. Basta que você esteja no lugar certo, na hora exata e que dê oportunidade para outra pessoa entrar em sua vida. Algumas vezes sequer é necessário fornecer tal oportunidade. Há momentos em que o amor simplesmente acontece e toma conta da sua vida sem que você perceba.

O difícil mesmo é sentir-se amado. Você pode ter um alguém especial na sua vida. O “eu te amo” até pode ser pronunciado. Mas, não há garantias. Palavras não são o bastante para despertar o sentimento de segurança que provém do amor.

Não faz diferença se lhe enviam flores ou escrevem poemas. Sentir-se amado vai além das declarações prestadas de tempos em tempos. Requer atenção e zelo em cada gesto diário, em cada perdão. Você sabe que é amado quando pode contar com a outra pessoa para as lágrimas e para os risos. Ou quando desculpa os erros do outro sem perceber.

O amor vai além dos gestos tramados, e das palavras conhecidas. Por isso, para sentir-se amado é necessário compartilhar mais do que uma cama ou uma união. É preciso sentir que se é importante também para uma outra vida.

(Trey Songz – I need a girl)

Engrenagem divina

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Não sou do tipo religiosa. Creio em Deus, e tenho uma porção de crenças, mas não saio por aí pregando ou divulgando os escritos da bíblia. Acredito no que acredito, e isso é o suficiente para a minha vida. Mas, independentemente das minhas tendências, observo que existe uma espécie de engrenagem divina funcionando a todo instante. Poucos se dão conta da sua existência, e menos ainda entendem o seu funcionamento.

Não sou “ninguém” para ousar desafiar a filosofia e me arriscar dentro dos ousados palpites, só que não posso deixar de tentar entender o mundo abstrato que todos sentem, mas ninguém busca a devida racionalização.

A “engrenagem divina”, como singelamente denomino, nada mais é do que a maneira com a qual “o cara lá de cima” faz tudo funcionar. Sem ela, os sentidos se esvairiam e nos deixariam perdidos em meio a vida.

Para mim, é a engrenagem divina que faz cada ser neste planeta ter uma função. Os pobres, os ricos, os bons, os maus, os animais e até as plantas. Nada e ninguém fica a par desta regra. Todos fazem tem responsabilidades e fazem parte um grande propósito. Um propósito que eu, pessoalmente, acredito que só fará sentido quando deixarmos de lado as mesquinharias diárias, e darmos espaço para que os sentimentos tenham voz, e nos guiem pelos seus próprios caminhos que não necessariamente serão provenientes da razão.

(Babyface – I need a love song)

Pensamento constante

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Qual o pensamento mais constante na sua cabeça? Do se trata a insistente ideia que a sua voz interior não se cansa de pronunciar a todo o momento?

Existem pensamentos que são assim intermitentes. Eles não se conformam em se manifestar uma única vez. É como se precisassem comprovar a própria existência o tempo todo, a todo momento. Na minha cabeça o pensamento mais constante é, na verdade, uma pergunta que se elucida exatamente como “O que os outros estão pensando de mim?”. Tem vezes que o “…estão pensando” muda para “…o que vão pensar”, mas a ideia é sempre a mesma repetitiva e interminável.

Quando ando na rua, chego na academia, quando estou no meio da multidão ou completamente sozinha. Não importa o momento, a hora, o local ou a companhia, este pensamento sempre toma conta dos meus dias. É como uma perseguição, mas não necessariamente sempre ruim.

Talvez esta pergunta se repita dia após dia, porque, de fato, sou uma pessoa preocupada com o que os outros pensam ao meu respeito. Não que eu queira comprovar a minha existência para cada ser que cruza o meu caminho, mas sinto uma necessidade de que sentir que o que eu faço está sendo aprovado.

Não ouso me aprofundar nas razões psicológicas ou comportamentais desta característica, apenas a cito para evidenciar minha nova constatação de que o pensamento mais constante de uma pessoa é a maneira mais simples e objetiva de definir quem cada um de nós verdadeiramente é.

Não pretendo perguntar para todas pessoas do meu círculo social qual a ideia mais evidente em cada um dos seus pensamentos. Mas, não nego que, por pura curiosidade filosófica, já me aventurei a levantar a questão por aí. Cada resposta soa como uma nova descoberta sobre um mundo desconhecido e alheio as minhas próprias opiniões e ideias. A cada resposta eu desvendo uma nova face do outro e, principalmente, de mim mesma.

(Anthony Hamilton – Charlene)