Quando tudo dá errado

Quando tudo dá errado você quer fugir, porque não sabe o que fazer… Porque não adianta tentar, muito menos lutar contra o destino que parece implacável em uma missão de martelar os seus propósitos e enterrá-los no fundo do poço sem piedade.

Quando tudo dá errado você sente medo e quer se esconder. Deseja ficar num canto escuro e sem ninguém por perto, porque talvez assim exista a possibilidade de nada mais nada dar errado e, na pior das hipóteses, a situação pelo menos ficará estática e sem novos agravantes para aumentar a sua preocupação.

Quando tudo dá errado você não tem para onde ir. Os planos B, C, D e alfabeto à fora vão por água baixo e saem do seu controle. Lutar contra a maré se torna cansativo demais e, então, você permite simplesmente ser levado para onde quer que as águas queiram te conduzir. A partir daí não existe mais livre arbítrio, não existem escolhas… Há espaço apenas para o tal do destino que resolveu ir contra você.

Quando tudo dá errado não faz sentido continuar investindo nas falhas tentativas. Nessas horas só te resta deixar de lado, relevar, esquecer e começar do zero fingindo que o tempo pode pausar para que você conserte os pedaços que se espalham quebrados pelo chão.

(Ouvindo:  Chassing Cars – Slepping at last)

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Saudade desconhecida

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Sabe quando te bate aquela saudade que você nem sabe de quê? O sentimento chega sorrateiramente em forma de plenitude, e em pouco mais do que instantes se alastra por todos os cantos da sua alma e toma conta de absolutamente tudo a ponto de te deixar desnorteado, sem saber o porquê, onde ou como aconteceu.

Hoje, agora, nesse instante eu sinto essa saudade. Não sei o motivo, desconheço a razão, mas me permito sentir, pois já aprendi que algumas vezes precisamos aceitar que as coisas, e incluo os sentimentos nesta generalização, podem simplesmente acontecer sem nenhuma lógica plausível.

Não sei se sinto saudade de alguém, de ler um bom livro, ou de escrever como o faço agora e já fazia – por desapego ou falta de tempo – muito, muito tempo que o não fazia. Talvez a saudade seja de tudo isso ou de um conjunto de até outros motivos que se escondem de mim… Mas, o que importa? Apenas sinto, sinto saudade de pessoas, de emoções, situações, experiências e de lembranças que um dia tocaram meu coração a ponto de fazerem ainda hoje eu estar aqui, sentada, sentindo falta de viver cada pedacinho delas.

 

(Ouvindo: Sara Bareilles – Gravity)

Velha de cabelos brancos

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Um dia ficarei velha de cabelos brancos e continuarei acreditando em milagres e que no futuro tudo será diferente. Também continuarei cometendo os mesmos erros, derrubando tudo no chão, esbarrando em paredes, dando bicudas em sacos de pancadas e murros em pontas de facas…

Me conservarei escondendo as saudades infinitas, fingindo não me importar com o que pensam de mim, criando planos mirabolantes em pensamento e fazendo tudo ao contrário na vida real.

Um dia, sim, eu ficarei velha de cabelos brancos e ainda permanecerei amando escondido, desejando o que não posso e fazendo o que não quero. Continuarei olhando para o céu imaginando o impossível e exercitando minha paixão por escrever sobre tudo o que sou e também sobre quem eu gostaria de ter sido um dia.

Sentimentos calados

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Ao longo dos anos aprendi algo que não me orgulho nenhum pouco, mas hoje faz parte de mim e está presente na minha vida tal qual o ato involuntário de respirar. Aprendi a calar sentimentos. Eu os silencio o tempo todo, até mesmo quando não quero e de forma totalmente mecânica.

Não faço isso por mal. Na maioria das vezes é até para evitar que o mal aconteça. Existem sentimentos que não devem ser mencionados por que não seriam compreendidos, ou porque causariam fatalidades inimagináveis.

Prefiro evitar desavenças e complicações…

Engulo a raiva, mantenho xingamentos no pensamento, escondo paixões no peito e finjo não sentir nenhuma dor. Transformo desespero em paciência. Saudade em desapego. Tristeza em reflexão.

E quer saber? Eu sou boa nisso. Ninguém nunca duvida, ninguém nunca questiona. No fundo as pessoas se preocupam apenas com o que você aparenta estar sentindo. Ninguém se dá o trabalho de questionar o que você não exterioriza ao mundo.

Sei que quando escondo sentimentos cometo um crime, deixo de ser e de sentir quem sou de verdade. Mas, por que complicar uma vida – ou várias vidas – que já nem são tão fáceis? Prefiro calar. Existem partes de mim que precisam apenas ser esquecidas.

Quando ninguém observa

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Tem coisas que você faz quando ninguém te enxerga. Quando pensa que não há um ser sequer a lhe observar. Então, você libera seus instintos. Dá asas à liberdade. Se permite viver de fato a atual existência sem pensar em nada. Não analisa as possibilidades dos julgamentos. Não pondera os prós ou contras. Não pensa e repensa uma simples ação. Apenas vive sem medo e sem vergonha. É nestas horas que a verdade se revela e você se permite ser quem verdadeiramente sempre foi, mas que também sempre lutou para esconder.

Momentos como este são escassos. As circunstâncias necessárias para a liberdade de um espírito são complicadas de serem alcançadas, pois dependem não apenas de encontrar “A” oportunidade, mas também de identificá-la em meio ao tumulto do cotidiano.

As amarras que nos prendem as convenções são tão profundas que se fazem incompreendidas. Nos impedem de fazer quase tudo e muitas vezes sequer é possível compreender a razão de existirem. “A vida é como é”… Desta forma nos contentamos. E a indagação sede espaço para o comodismo de se habitar uma vida sem saber por que ela precisa ser desta forma vivida.

Novos pensamentos

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Hoje peço humildes desculpas pelos meus pensamentos. Esclareço que não sou contra a liberdade de pensar – principalmente, não sou contra A MINHA PRÓPRIA liberdade de pensar. Apenas expresso meu íntegro desejo de ser perdoada pela repercussão que as minhas ideias possam ter adquirido.

Quem me conhece, mesmo que por meio deste blog, sabe que até então nunca demonstrei ser uma pessoa lá muito otimista. Ao contrário disso, sempre fiz questão de enaltecer que a arte de manter os pés no chão se encontra entre minhas as principais qualidades. Ao menos era isso que eu acreditava, piamente inclusive, até ontem…

Mas, hoje ao acordar senti que algo mudou. Percebi que estão brotando dentro de mim novas ideias e possibilidades. Começo a acreditar que cultivar um pensamento positivo e otimista é meio caminho andado para encontrar a felicidade que tanto procuro por este mundo.

Então vem a pergunta: Como? Por quê? Da onde surgiu tal mudança?

Sinceramente, não posso dizer com precisão a origem das minhas novas ideias. Livros, talvez? Mas, penso que a vida meio que me conduziu a enxergar o mundo com um outro olhar. Já estava cansada de pensar e repensar sobre minhas preocupações, e sobre a chance dos meus planos darem errado. Sinto que estava sabotando a minha própria vida, sendo a minha própria inimiga.

Hoje sou uma pessoa que busca novos conhecimentos sobre o poder da mente humana. Hoje procuro controlar meus próprios pensamentos, e não permito mais que eles me controlem. Hoje tento nutrir bons sentimentos dentro de mim. Hoje, inacreditavelmente, me sinto mais feliz e em paz. E, do fundo meu coração, espero que as ideias que cultivo hoje se propagem a sete ventos e, especialmente, que se conservem dentro de mim por toda a vida.