A arte do desapego

Reprodução

Você sabe a hora certa de se desapegar de alguém? Consegue sentir o momento exato,  seguro o suficiente, para se distanciar e evitar estragos no próprio coração?

Eu sei que a paixão e o sofrer estão interligados. Porém, também sei que existe uma linha tênue que permite a racionalização do que está por vir. Não que nós, limitados seres humanos, sejamos capazes de prever as teias do destino. Mas, acredito que exista um sentido extra que nos apresenta indícios de que nosso coração corre perigo.

Quando esse alerta desperta nossa atenção só temos duas possibilidades: Permitir que a paixão tome conta de nossas vidas; Ou sair correndo na direção contrária o mais rápido possível.

No final, qual seria a escolha mais adequada? Ficar e sentir toda a beleza de um turbilhão de emoções invadindo seu coração? Ou fugir e evitar que esta ventania tempestuosa lhe leve para longe de tudo o que pode existir dentro da razão?

Anúncios

Palavras assassinadas

Reprodução

As palavras podem machucar, acredite. Levante o dedo quem nunca sentiu o pesar verbal em uma discussão, ou em meio a uma conversa despropositada. Mesmo sem querer, somos bombardeados por frases que doem mais do que tapas. É inevitável, garanto a afirmação por experiência própria.

Já senti na pele a ardência de xingamentos, de desaforos, a até de bullying. Já ouvi gente dizendo que não significo nada, já presenciei a confissão de paixões que acabaram, já vivi a dor das palavras que sucedem o “adeus”. Já sofri, chorei e também já esqueci. Mas, é a dor das palavras não ditas que ainda não consegui superar.

Existem sentimentos no mundo que prefiro não racionalizar. Sei que é errado, mas considero mais “sensato” (veja bem falei “sensato”, e não “inteligente”) simplesmente deixar pra lá. Fingir que nada sinto, e seguir a vida como se uma gama indescritível de sentimentos não residisse dentro de mim.

Se não falo, os sentimentos, teoricamente, não existem, certo? Errado, eu sei. Mas, ao menos os ouvidos alheios nada sabem ou escutam. Admito que minha atitude não é nada madura e muito menos deve ser levada como um exemplo. Só que, acostume-se ou não, esta sou eu: Assassino as palavras antes que elas possam ser pronunciadas e jogadas aos cuidados indecifráveis do destino em forma de confissão.

Paixão ou segurança?

Na profunda discussão a cerca de escolher-se entre a paixão e a segurança, eu me posiciono no exato lugar onde se demarca o “não sei”. Não faço ideia mesmo com qual dos dois ficar. Se por um lado a segurança é segura, por outro a paixão é apaixonante e, entre uma redundância e outra, as duas me parecem necessárias em específicos momentos. Portanto, não! Não sei mesmo!

Gostaria de poder dizer que é fácil se contentar com a segurança. Ela é tranquila e não te dá dores de cabeça, não causa estresses. Mas, qual o sentido de uma vida sem aventuras, sem a constante montanha russa que é a paixão? Parece-me não fazer sentido viver sem expectativas, sem medos, sem brigas. E, para uma pessoa sedenta por acontecimentos inusitados, me soa um tanto quanto monótono viver a margem de águas tão pacíficas.

Portanto é claro que sou adepta a paixão, ao fogo, ao momento! Gosto do frio na barriga e daquele sentimento de não saber pra onde se está indo e adoro a possibilidade de quebrar a cara mais uma vez, por mais que eu odeie a dor propriamente dita da consequência de se quebrar a cara. Mas, entre dores, desamores e ilusões, prefiro sofrer a ficar inerte diante da segurança escolhida para a minha própria vida. Ao menos é isso que penso teoricamente, a prática costuma beirar aos lampejos de conforto e estádia. Mas, falo do que prefiro e não do que faço, então fico com a paixão, aquela que arde mesmo sem se ver.

(Craig David – Unbelievable)

Desrespeito à memória

Não acordei hoje achando que seria um dia ruim, tão pouco o que direi nas próximas mal ou bem traçadas linhas dizem algo a meu respeito ou a experiências vividas por mim no presente momento. Apenas, as descrevo porque observo e, eventualmente, sinto as dores e desamores dos meus “objetos” de estudo e não consigo me conter ou segurar as palavras. Resumindo e sem mais rodeios, eu acredito que o sentimento de ser substituído é muito pior do que o ódio que assola e destrói vidas.

É claro que não estou desmerecendo o ódio propriamente dito. Assumo com todas as letras que é realmente um sentimento horrível e, de fato, se encontra entre os piores que assolam a humanidade. Mas, penso mesmo que as emoções vividas no momento em que nos sentimos substituídos, trocados, é de uma dor ainda maior.

Dizendo desta forma até parece que existem escalas capazes de medir as dores de um sentimento. Quem dera! Assim, poderíamos comparar os nossos próprios sofrimentos com os alheios e medir qual deles é digno de mais pena ou compaixão. Mas, isto é outro assunto e não se trata disto! A questão é que quando tudo o que somos e fazemos deixa de ser suficiente para outro alguém, o mundo parece desabar.

Quando uma pessoa resolve nos substituir como se fôssemos um vaso barato que se espatifou ao chão ou um enfeite de mesa que já parece gasto demais, nos sentimos como os referidos lixos, nada mais do que isto. É como se o ato de fazer outra pessoa ocupar o lugar que era nosso fosse um desrespeito a nossa memória, mesmo que essa atitude seja totalmente compreensível dentro daquele dito que diz que a Terra não para de girar, que a fila anda, ou qualquer outra frase que queira dizer que a vida sempre continua seguindo independentemente de em quantas partes o seu coração se partiu.

Se sentir substituído é o que há de pior, talvez não para a humanidade como um todo como o que acontece com o sentimento do ódio. Mas, certamente, para os nossos respectivos mundos que já não são o bastante para outro alguém que, às vezes, até mais do que de repente, encontrou um ornamento melhor para a sua vida.

(Jennifer Hudson – No one gonna love you)

A paixão, por Albert Einstein

Ao ler um livro outro dia, logo no seu início me deparei com uma frase de Albert Einstein que dizia: “A lei da gravidade não é responsável pelas pessoas se apaixonarem.”. Acredito que o fato de eu estar mencionando tais ditos já seja subentendido como uma admiração, mas, caso o contrário se faça, deixo nitidamente claro que simplesmente amei esta confirmação.

Não que seja necessário ter uma mente brilhante, digna de ser comparada com a Einstein, para saber que a paixão não é submetida a lei de que tudo cai aos nossos pés em algum momento. Apenas acho que nunca é demais dizer, especialmente para os céticos de plantão, que se apaixonar, guiando-se pelo ato por si só, não é uma coisa ruim e não vai te fazer necessariamente cair.

Logicamente que ir ao chão é uma consequência da vida. Às vezes acontece, outras também, e outras não. Mas, apesar dos pesares, não significa que a paixão seja uma coisa de toda ruim. Ao contrário disto, penso que é um sentimento incrível de se viver porque meche com todos os sentidos e emoções humanas, inclusive até ao mesmo tempo.

A paixão te leva aos extremos dos sentimentos. Em um momento se está completamente feliz e, logo no seguinte, caindo aos prantos. E isso não significa que a lei da gravidade está em complô contra a felicidade humana. Até mesmo porque da mesma forma que a paixão varia da felicidade para a tristeza, ela também se guia da tristeza novamente para os sorrisos. Portanto, se posso me sentir no direito de redizer a frase do ilustre Albert, “a lei da gravidade (realmente) não é responsável pelas pessoas se apaixonarem”.

(Lady Antebellum – Our kind of love)

 

O doce toque da paixão

Depois de certo tempo convivendo com os mais diversos tipos de personalidades e as observando pacificamente, a gente percebe o quanto é fácil se apaixonar por algumas pessoas… Às vezes é até inevitável.

Quando os gestos são singelos, as atitudes são tomadas priorizando o bem coletivo e existe uma doce delicadeza em cada palavra pronunciada, fica difícil não se envolver. Talvez esta “queda” que temos faça parte da realidade de todo e qualquer ser humano…

Por mais que existam aqueles, ou aquelas, que não tem a menor vergonha de dizer que se apaixonam mais facilmente pelas pessoas malvadas, que as destratam e maltratam, acredito que é realmente impossível não se deixar levar pela magia do carinho.

Quando o toque é suave o bastante para te fazer esquecer de todo o mal que assola o mundo, não há meios para fugir de um sentimento forte, de uma paixão desenfreada…

(Música: Greenwheel – Breathe)