“Mesquinharias” coletivas

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Já escreveu Paulo Coelho: “Costumamos não dar valor às coisas que fazemos todos os dias, mas são elas que estão transformando o mundo à nossa volta.”. E não é que o “mestre” tem razão?

Ao pensar plausivelmente sobre os detalhes cotidianos, vejo o quanto as mesquinharias do dia a dia passam batidas. Vive-se a rotina conhecida de maneira mecânica e impensada, e não há espaço (e muito menos tempo) para se pensar o quanto as nossas atitudes, e aqui me refiro a qualquer uma delas, repercutem não apenas no nosso destino, mas também na vida das pessoas que nos cercam e, por que não dizer, do MUNDO?

Pessoalmente, fico aqui tentando encontrar qual entre as minhas ações está transformando a vida a minha volta. Talvez usar a internet? Não desgrudar do celular? Sofrer horrores com a abstinência das redes sociais? Ou, quem sabe, todo este conjunto de coisas?

Agora, a pergunta mais importante: Será que as coisas que faço todos os dias estão ajudando a fazer  do mundo um lugar melhor? Pior? Ou será que são insignificantes na parcela estrutural da transformação coletiva?

(Skylar Grey – White suburban)

Quem é essa?

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Me ative a ler os posts antigos deste blog. Escrevo a quatro anos nele, e sequer tinha ideia de que fazia tanto tempo. Culpo a falta de percepção do número de publicações, a rotina que já faz parte da minha semana. Me sento diante do notebook, e simplesmente dou toda a liberdade para meus dedos digitarem o que se passa em minha mente.

Nem sempre posso escrever exatamente tudo o que penso, mas em hipótese alguma minto. Quer dizer, ao menos não publico nada do que não acredito naquele exato momento. Mas, em meio a toda esta contabilização não oficial de postagens, me ative a revisar posts antigos, e encontrei uma frase que cheguei a cogitar a possibilidade de ter sido abduzida no momento em que a escrevi. As palavras diziam “Eu não gosto de caminhar.”.

Li, e pensei: “Como assim? Você está louca, garota?”. Oras, desde quando eu sou contra a prática de atividades que fazem bem para a saúde? Não consegui acreditar nas minhas próprias palavras. Não me reconheci naquela frase. Quem será essa Marceli que ousa dizer que caminhar é um saco?

Tudo bem que a Marceli de hoje em dia se tornou uma esportista, fã de carteirinha, e prefeita no Foursquare da academia, só que a Marceli de quatro anos atrás não era uma completa sedentária.

Fico pensando se daqui a mais quatro anos também não vou me reconhecer em meio as minhas próprias palavras. Será que o tempo nos torna desconhecidos diante dos nossos próprios princípios?

(Miguel – Do you…)

Mudar o passado

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Se eu pudesse mudar o passado, eu faria tanta coisa diferente. Acordaria mais cedo, leria ainda mais livros, começaria a trabalhar mais jovem, passaria mais tempo com a minha família, e experimentaria todos os sabores da vida.

Se eu pudesse começar de tudo de novo, eu confiaria mais nas pessoas e em mim mesma, não guardaria mágoas, e conservaria as boas amizades da adolescência. Eu prestaria atenção em pequenos detalhes, e aproveitaria a experiência que tenho hoje para viver da melhor maneira possível cada um dos momentos.

Mas, é possível mudar o passado? A reposta é curta e definitiva: Não! Repensar sobre as velhas escolhas, ver o que é possível perdoar, e o que ainda dá tempo de ser corrigido é a única opção. Não podemos mudar o passado, mas podemos tomar novas atitudes e sermos pessoas diferentes. Isso é o que temos para viver hoje, porque o passado já foi, e o futuro depende do momento atual que, um dia lá na frente, também não poderá mais voltar.

(Adam Lambert – Whataya want from me)

Mudanças do amor

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Estava aqui pensando sobre as tramas e tramoias do amor, e me ative à constatação de que em muitas histórias romanceadas a mulher muda o seu homem. É como se transformar o seu parceiro fosse uma característica necessária para a aprovação do enredo.

Em “Uma linda mulher”, por exemplo, a garota de programa Vivian (Julia Roberts) só sossega o facho quando consegue transformar o milionário Edward (Richard Gere) em uma pessoa mais tranquila, despojada, aberta aos sentimentos. É como se criasse a ideia de que para uma prova de amor ser verdadeira é necessário que exista o fator “mudança”.

Não tenho certeza se estou exagerando, entretanto em toda história de amor que me vem a cabeça, eu não consigo deixar de perceber que existe a mudança. Será que nós mulheres precisamos transformar os nossos parceiros para nos sentirmos amadas?

Parece estranha a pergunta, mas eu realmente sinto, no meu dia a dia conjugal inclusive, que as pequenas mudanças de hábito – como, por exemplo, meu marido aprender a estender uma toalha depois do banho, ou lavar a louça de vez em quando – funcionam como provas de amor.  É fato que o amor transforma as pessoas, mas será que as pessoas precisam mudar para serem amadas?

(Pitbull feat Christina Aguilera – Feel this moment)

Indelicadezas da realidade

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Sabe aquela expressão “O mundo não para de girar”? Pois é, faço uso dela como inspiração para humildemente criar a frase “O ser humano não para de mudar”. Da mesma forma que os movimentos de translação e rotação são palco para os acontecimentos da nossa realidade, nós, os citados habitantes do mundo, também estamos o tempo inteiro mudando, nos transformando em pessoas diferentes.

Tem vezes que as mudanças são tão grandes e acontecem em períodos tão curtos de tempo que sequer as percebemos. Há momentos que somos pegos de surpresa ao passar por uma vitrine de loja, por exemplo, e observar o nosso reflexo no vidro. Por uns breves segundos de inocência, a gente para e pensa “Ué, quem será esse estranho que sequer se parece comigo?”. Logo depois a consciência é recuperada, e percebemos que somos nós ali refletidos e conseguimos, por fim, nos lembrar de tudo o que fizemos para chegar naquele lugar, para estarmos daquele jeito.

Acho engraçado como a vida consegue nos pregar essas peças. Em pequenos momentos esporádicos e aleatórios somos pegos de surpresa pela indelicadeza da realidade. Será que isso também é culpa do movimento dos astros?

(Ella Mae Bowen – Holding out for a hero)

Erros e acertos

As pessoas erram, fato! E, erram o tempo inteiro. Não há quem se escape dos equívocos, e também não há porque se ter vergonha de um processo tão natural ao ser humano.

Eu não quero nem pensar na quantidade de vezes que já errei. Errei por desconfiar, por confiar, por acreditar que estava certa, por duvidar de conselhos sinceros, e errei até por mesmo por querer… Só para fazer algo errado para variar. Portanto, sim, os erros fazem parte das nossas vidas e até mais do que os acertos.

Não que errar seja o habitual. Mas, querendo ou não, tudo o que aprendemos na vida, em especial as nossas maiores lições, sempre partem de um grande deslize. E, digo mais: Quanto maior e mais catastrófico e vergonhoso for o nosso erro, igualmente maior será a evidência do nosso aprendizado.

A primeira vista isso não faz o menor sentido e chega a soar com ar de sátira. Mas, pare e pense por apenas alguns instantes em todas as vezes que você cometeu um erro, e em como ele sempre surge na sua memória sempre que você vai fazer algo que te conduza a lembrança da sensação sentida no momento do equivoco. Admita, é inevitável… Os erros se fazem presentes nas nossas vidas para que possamos acertar, talvez não imediatamente, mas sim, em algum momento desta ou de outras existências.

(Pitt Broken – A second to be sure)