Pequena Marceli

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Outro dia eu lembrei de coisas que já vivi e existiram. Lembrei de que quando criança ia todos os dias na “vendinha” perto de casa para a minha mãe. Sim, e também lembrei que chamavam os comércios pequeninhos de “vendas”, e não de mercados.

Lembrei que a Dona Maria da casa da esquina nos emprestava forminhas de Natal, e de que a outra velhinha da esquina, a Dorinha, parecia a Bruxa do 71 e eu morria de medo dela e da sua coleção de gatos.

Também lembrei de que antes dos rollers vieram os patins, e que eu propriamente nunca andei de patins, porque a primeira vez que subi em um deles quebrei o pé, e fiquei sem andar por semanas.

Lembrei das minhas brincadeiras pela vizinhança, da marca e cores da minha primeira e única bicicleta, e até das peripécias que deixavam minha mãe de cabelos em pé. Lembrei da Marceli criança que não sabia nada sobre a vida. A Marceli que não tinha medo de se arriscar em pequenas aventuras. Lembrei de quem eu era e de repente até me confundi. Por anda aquela menina que sequer loira era?

(Norah Jones – Sunrise)

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Vida que segue

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É triste, mas as vezes também é bom. A vida segue e nada pode mudar isso. As pessoas aparecem, marcam existências, se tornam inesquecíveis, e depois somem até sem dizer nada, sequer um adeus. Vão para longe, findam-se no tempo, deixam lembranças e corações apertados. É triste porque ficam as saudades, mas é bom porque deixam marcas únicas que nos ajudam a construir quem seremos pelo resto das nossas vidas.

É como muito bem diz Caio Fernando Abreu:

“Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer à tona, o que o coração vive tentando deixar para trás.”

(Ne-Yo- So you can cry)

Voltas que só a vida dá!

A vida é engraçada às vezes. Não engraçada do ponto de vista de dar gargalhadas e chorar de tanto rir, mas engraçada pelas tantas pelas voltas que dá e de repente para no exato lugar que já estivemos há muito tempo atrás.

Quase como se resolvesse pregar peças na gente, tendo como companhia unicamente o destino e a coincidência, situações acontecem e nos fazem parar e pensar “Por que, afinal de contas, eu agi daquela maneira?”. É engraçado…

Às vezes o tempo nem passou depressa, nem transcorreram tantos anos… Mas, simplesmente a razão pela qual agimos em um determinado momento nos foge da lembrança. É como se mantivéssemos apenas o essencial de um acontecimento: o começo, o meio e o fim. E, todo o resto que incrementa a experiência fosse deixado de lado inconscientemente pelos nossos cérebros ou espontaneamente pelas nossas vontades.

Realmente, não sei o que acontece nestas horas. Mas, gostaria que o tempo pudesse voltar de vez em quando para que fosse possível gravar em algum lugar as lembranças que desejamos jamais esquecer.

(Música: Avant – Wake up)

Shift + Delete

Ao observar um menino na praia construindo castelinhos de areia, lembrei-me de quando era criança e fazia o mesmo. Passava horas ornamentando castelos na beirada do mar com o meu kit de baldinhos e pázinhas coloridos. Inclusive, acredito que deve ter sido daí que surgiu minha paixão por estas majestosas arquiteturas…

Conclusões comportamentais a parte, o que tal visão me fez pensar foi o fato de me recordar de um passado tão distante (nota mental: senti-me uma anciã com esta frase). Não se trata de uma lembrança que tenho a todo o momento e que, neste caso, tornaria mais difícil esquecê-la. Nem sei quanto tempo faz que não penso em castelos de areia. Mas, de alguma forma que desconheço, meu cérebro resolveu me presentear com a memória guardada deste momento.

Pergunto-me quantas lembranças ainda tenho da minha infância, adolescência ou de um passado pouco distante que estão devidamente guardadas a espera do momento certo para virem à tona?  Certamente não são poucas… Literalmente, vinte e quatro anos de recordações!

O triste de tudo isso é que sei que muitas memórias minha mente seletivamente resolveu apagar. Munindo-se de uma explicação nerd, foi apertado um shift + delete em alguns pontos das minhas lembranças e estas sequer se deslocaram para lixeira. Simplesmente foram deletadas do seu ponto de partida para todo o sempre.

Devo dizer que, constatando os fatos sobre este ângulo, é até meio triste. Sempre acreditei naquela frase que diz que as lembranças são uma forma de encontro com o nosso passado. E, se estas forem drasticamente extintas, lá se vai o elo que nos liga com tudo aquilo que gostamos e já não existe mais.

Este é um dos motivos que me faz escrever todos os dias. As palavras, especialmente as publicadas como as minhas neste Blog, possuem um tempo de validade maior do que as lembranças. Além disso, podem ser facilmente acessadas com um mero clique de mouse. E, aqui entre nós, eu acho muito mais garantido desta forma do que confiar pensamentos que considero importantes a minha tão falha mente.

(Música do dia: PussyCat Dolls & Avant – Stickwitu)

Lembranças arrebatadoras

Estava quase dormindo quando meu cérebro resolveu, por aparente livre e espontânea vontade, recordar de um passado que eu já nem me lembrava mais. Me veio a memória pessoas que já conheci, situações que já vivi e dezenas de recordações.

A cada segundo novas lembranças me arrebatavam, expulsavam para muito longe meu sono e entrei meio que em um momento de transe. Queria parar todos aqueles jatos de lembranças, mas era impossível. Na mesma proporção que eu lembrava de detalhes vividos, mais e mais passados assolavam a minha mente. E, eu simplesmente não tive controle sobre isso.

Me recordei de muitas pessoas que cruzaram meu caminho e no que aprendi com elas. Percebi que apesar de já ter percorrido um longo caminho para chegar onde cheguei e de ter me tornado quem eu sou hoje, ainda tenho muito a aprender.

Acho que vinte e quatro anos de experiência não é uma grande coisa quando se tem ainda tanto pela frente. Por mais que os anos que já vivi tenham sido (alguns) muito intensos, tenho tanta coisa pra entender e aprender neste mundo.

Vejo que tudo que penso hoje é completamente diferente daquilo que pensava há cinco anos atrás por exemplo. E, tenho a impressão, de que a daqui mais uns cinco ou dez anos, minha forma de encarar o mundo será ainda mais diferente.

Talvez, eu não me reconheça se for comparar quem sou neste exato instante com o meu passado ou com a pessoa que ainda vou me tornar. Só espero que toda essa mudança, por mais assustadora que pareça ser, me torne alguém cada vez melhor.

(Música do dia: Lenny Kravitz – Just can’t get you off my mind)

Meus souvenirs

Não sei se cada ser humano deste planeta tem o mesmo hábito que eu de conservar lembranças de momentos já vividos ao longo de uma vida. Mas, eu sou assim! Apegada a pequenos souvenirs que possam me fazer recordar de situações boas e outras nem tanto.

As formas destas lembranças estão concretizadas em objetos, folhas de papel, cartas, pedaços de fita de buquês de flores, cartões, diários antigos, roteiros de viagens, poesias, pensamentos. São tantas coisas que ficam guardadas em um baú devidamente escondido onde ninguém pode mexer.

De vez em quando, nas horas em que me bate saudade do passado, me sento no chão e começo a revirar tudo isso. Acho que faço isso para meio que buscar um acalento, alguma espécie de consolo ou conselho. Não sei ao certo, o fato que eu faço isso às vezes e poder realizar coisas assim fazem parte do que é a Marceli… De uma Marceli que ninguém conhece.

Considero meio contraditória a vontade que eu pessoalmente tenho de querer materializar as coisas abstratas. Afinal, as lembranças são abstratas, fazem parte de um mundo unicamente nosso que não pode mais se tocado, que não pode voltar no tempo e que apenas permanece estático para que possamos analisar e pensar.

Apesar de toda essa bagunça de querer fazer o impossível, as lembranças são importantes e mesmo que tentamos afastá-las, elas sempre se farão presentes nos momentos mais inesperados e indesejados. Talvez o único objetivo disso seja para nos confundir mesmo. Vai saber! E, apesar de tudo isso e de todos os outros pesares, eu continuo colecionando os meus souvenirs…

(Música do dia: Pixie Lott – Nothing compares)