Sociedade estranha

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Outro dia caminhava em direção a academia logo no começo da manhã. Durante o curto trajeto ia, como de costume, mentalizando pensamentos positivos do tipo: “Hoje vou ter um dia maravilhoso. Vou fazer isso, e aquilo. E tudo vai dar certo…”. Fui trazida para a realidade ao ver dois policiais gritando com um rapaz do outro lado da rua. Sobre o que falavam, não sei e nem quero saber. Mas, vi e ouvi chutes dados pelos policiais, e gritos expressos pelo tal rapaz.

Não tenho vergonha de dizer, senti vontade de chorar… Confesso que até o fiz por alguns instantes. Fiquei me perguntando o que anda acontecendo com a sociedade. Diante de tanta coisa boa no mundo, por que todos parecem querer exibir somente o que há de pior?

Não faço referência apenas aos policiais que, teoricamente, não estavam abusando do poder, e sim, cumprindo o seu papel, assim espero. Me retrato também as pessoas que compõem o meio em que vivemos.

Todos os dias vejo notícias nos jornais dizendo que tal comunidade linchou fulano ou ciclano por ter cometido algum vandalismo ou atrocidade. Parece que certos seres humanos se sentem no direito de julgar e penalizar de acordo com as circunstâncias possíveis. Será que as pessoas não percebem que estão se igualando ao tal do “criminoso”? Será que não enxergam que não cabe a elas fazer justiça com as próprias mãos?

De repente, tenho a sensação de que vivo em uma selva onde a única lei que existe é a da sobrevivência. Palavras como respeito, educação e cortesia se extinguiram, e hoje dão espaço unicamente para a ótica da lei de tailão “olho por olho, dente por dente”.

Se isso é certo ou errado, eu não sei. Quem sou eu para julgar? Apenas expresso que me sinto uma presa fácil em a uma sociedade estranha que não parece caminhar rumo à evolução.

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O que ninguém enxerga

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Não escondo o quanto gosto observar as pessoas, captar os mínimos sinais, enxergar o que ninguém percebe, e deduzir o que pode estar acontecendo por trás de outro pensamento totalmente diferente do meu. Pensar sobre os outros é uma terapia gratuita que sigo com o também propósito de esclarecer as minhas próprias ideias. Parece insanidade, mas funciona para mim.

Geralmente, quando bato olho em alguém os meus primeiros pensamentos são carregados de conceitos pré-estabelecidos. Preciso de um segundo, um terceiro, quarto, quinto olhar para começar a entender melhor os sinais que cada pessoa transmite sem querer, sem pensar a respeito. Não sei se sou muito boa nisso, até mesmo porque não há métodos capazes de avaliar o julgamento que as pessoas fazem das outras pessoas. Mas, quero crer, que estou ao menos um passo a frente por dar margem às infinitas possibilidades que guiam uma pessoa a agir da forma que lhe convém diante da sociedade.

Posso dizer que no final de cada observação eu sempre conservo uma série de pontos de interrogação, e apenas uma única afirmação: “Ninguém é o que demonstra ser.” Claro, é possível que eu esteja totalmente errada, porém não posso deixar de compartilhar uma observação que se apresenta como uma constante, certo?

Se uma mulher sai na rua com maquiagem, toda produzida, por exemplo, as pessoas tendem a pensar “Nossa, essa é uma perua!”. Parece que ninguém tem vontade de enxergar além do que parece óbvio, ninguém quer ver a verdade camuflada. Talvez, uma mulher que sai todos os dias de casa arrumada, perfumada, não queira se mostrar ou chamar atenção extrema dos outros. Quem sabe, por ventura, ela queira exatamente o contrário…

E, se eu sugerir que, na verdade, o que ela intenciona com a sua produção é esconder os olhos inchados de tanto chorar, as olheiras de sete noites mal dormidas ou cicatrizes que jamais deixaram a pele? E, se eu disser que ela se veste bem para que todos pensem exatamente o que você pensou só para não ter que dar explicações sobre quem é de verdade?

As pessoas nunca mostram o que são de verdade, não por mentira, omissão ou falsidade. Elas não demonstram quem são porque o instinto de autopreservação exige que se sintam seguras e protegidas. E, para isso, precisam de disfarces, de máscaras, perfumes, maquiagens e roupas que podem confundir e distorcer um único e primeiro olhar de quem vê, mas realmente não enxerga.

(Jason Walker – Down)

Verdades restritas

O que você pensa quando a sua mente está livre das preocupações e obrigações diárias? Claro, não dá para definir uma única linha de pensamento quando, todos nós sabemos, que as ideias conseguem seguir por caminhos inusitados e diversos em uma única fração de segundos. Mas, qual é o pensamento que mais ocorre em seu cérebro?

Posso dizer pessoalmente que o pensamento mais presente na minha vã consciência é: “O que as pessoas estão pensando de mim?”. Parece fútil, eu sei. Porém, racionalizando o racional, não é tão ruim quanto parece. Na verdade, é algo bem psicológico que posso explicar diante da constatação imediata que me preocupo demais em ser aprovada pelas pessoas, mesmo odiando o fato de ter que ser aprovada seja lá pelo motivo que for.

Ao se deparar comigo por aí e me observar apenas por alguns instantes, você já vai saber que entre uma tentativa e outra de tentar entender o que se passa na cabeça dos outros a partir dos seus respectivos comportamentos, eu também estarei buscando algum tipo de sinal que me leve a descobrir o que estão pensando de mim, da minha imagem e de tudo o que expresso. Estarei imaginando também que muito provavelmente a ideia que formaram a meu respeito não é a correspondente a realidade, porque, assim como todas as demais pessoas do planeta Terra, o que demonstro nem sempre é a verdade, pois a verdade geralmente fica restrita dentro de mim, guardada para aqueles que querem mais do que julgar a realidade aparente.

(John Mayer – Stop this train) 

Choques culturais

Acredito que toda vez que somos submetidos a novas experiências que nos possibilitam entrar em contato com outro modo de vida, acontecem os chamados choques culturais. Mesmo que as diferenças entre duas culturas sejam pouco extravagantes, sempre existe a estranheza.

A princípio a gente tenta não julgar, fica pensando que não se deve fazer isso antes de se conhecer de verdade a realidade do outro. Mas, sendo honestos e verdadeiros, é impossível fazer isso. Julgamos, medimos e apontamos dedos o tempo inteiro, e isso é tão comum que meio que já virou um hábito, não necessariamente um bom hábito, mas, sim, um hábito corriqueiro que pode até passar despercebido.

É comum julgar durante todo este processo de choque cultural. A gente estranha e acha que tudo aquilo é maluco demais. Mas, se pensarmos apenas um pouquinho, veremos que o que estamos fazendo é comparando certa realidade com o nosso habitual cotidiano. Não que não se possa fazer isso. Quem sou eu para dizer tal coisa? Acho que este é um processo natural, afinal, só julgamos a partir do que conhecemos. Mas, ser natural não implica em ser correto, então é sempre é bom ficarmos atentos para perceber a linha tênue que separa as opiniões de julgamentos acusadores e discriminadores.

(Creed – Inside us all)

Segunda chance

É muito fácil julgar uma pessoa. Basta emitir um primeiro olhar, encontrar parâmetros de comparação e formular uma opinião embasada naquilo que acreditamos ser certo ou errado. Mas, e se todo este julgamento, por mais correto que nos pareça ser naquele momento, estiver errado? Existem meios de reparar o estrago, de se pedir desculpas ou remediar?

Acredito que não. Não há como recuperar o tempo perdido. Porém, podemos sempre contar com a mudança de atitudes e a renovação dos nossos próprios julgamentos.

Já ouvi muita gente dizer que todo mundo merece uma segunda chance, uma oportunidade para provar que é uma boa pessoa e que é digno da nossa consideração. Muitas vezes esta segunda chance implica apenas em olharmos de maneira diferente para alguém. Observá-la a partir dos seus pontos positivos e de tudo o que ela faz de bom pros outros e, se formos humildes o suficiente para admitir, até para nós mesmos.

Segundas chances são ocasiões indispensáveis para a construção de um novo caminho e de uma harmonia verdadeira e sincera. É sempre bom não desperdiçar isso…

(Música: Banda Eva – Faltando um beijo)

Me deixem errar!

Tenho a impressão de que a vida nos reserva obstáculos do exato teor da nossa necessidade de crescimento. Uns enxergam tais dificuldades diárias como carma ou um martírio, e outros percebem nestas mesmas situações oportunidades para evoluir.

Dizem que só aprendemos com nossos erros. Eu também acredito nisso, porém compreendo que existem as pessoas que discordam deste (e de outros) ditos populares. Para estas faço o seguinte questionamento: Como você aprendeu a andar de bicicleta? Caindo e levantando?

Creio piamente que desde o momento do nosso nascimento temos a função de aprender, sejam com nossos erros ou acertos, quebrando a cara ou seguindo nossos princípios. Cada qual tem a sua maneira de perceber a vida e agir a partir disso. E, ninguém pode julgar as atitudes alheias.

Se tudo funcionasse perfeitamente dentro desta lógica, as coisas poderiam progredir dentro de um padrão pré-estabelecido e organizado. Mas, nem sempre assim. Convivemos com problemas diariamente, de todas as espécies e lados, e se não agimos de acordo com o que é considerado moralmente correto, sofremos as devidas consequências. Nada mais natural para o meio em que nos incluímos. Só digo que isto torna tudo mais difícil.

Como se não bastassem os problemas que assolam o dia a dia, temos que aturar cobranças e opiniões de pessoas que desconhecem nossas respectivas razões para agir da forma agimos. Criticam como se fossem autoridades donas de tudo e de todos, capazes de resolver todos os desvios das felicidades. Convenhamos, não é bem assim.

Eu defendo meus pontos de vista e um deles é o de não julgar as pessoas. Segurar a língua, cortá-la se for necessário, mas não pronunciar sequer uma palavra carregada de desdenho ou julgamento.

Todos cometemos incontáveis erros, inclusive erros estúpidos que poderiam facilmente ser evitados. Este é o nosso direito, errar uma, duas, milhares de vezes se for preciso. Errar para que, em algum momento, possamos acertar e concluir nossos objetivos.

Então, deixo claro, eu não permito que me julguem. Sou o que sou, faço o que faço respaldada em meus próprios pensamentos e convicções. Se não é o suficiente ou o certo para os outros, sinto muito de verdade. Se eu estiver errada, tomara poder perceber minhas falhas a tempo de corrigi-las. Mas, por favor, me deixem ficar com o direito de errar, porque preciso dele para conquistar acertos em algum momento da minha vida.

(Música do dia: Marie Digby – Where Do I Go)