Velha de cabelos brancos

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Um dia ficarei velha de cabelos brancos e continuarei acreditando em milagres e que no futuro tudo será diferente. Também continuarei cometendo os mesmos erros, derrubando tudo no chão, esbarrando em paredes, dando bicudas em sacos de pancadas e murros em pontas de facas…

Me conservarei escondendo as saudades infinitas, fingindo não me importar com o que pensam de mim, criando planos mirabolantes em pensamento e fazendo tudo ao contrário na vida real.

Um dia, sim, eu ficarei velha de cabelos brancos e ainda permanecerei amando escondido, desejando o que não posso e fazendo o que não quero. Continuarei olhando para o céu imaginando o impossível e exercitando minha paixão por escrever sobre tudo o que sou e também sobre quem eu gostaria de ter sido um dia.

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Segurar o passado

Você já teve o passado, literalmente, ao alcance das suas mãos? Eu posso dizer que já… Já tive o passado em minhas mãos e a sensação não é ruim, mas estranha e meio filosofal.

Quando seguro uma carta ou um velho diário sinto como se tivesse conectada com o passado, com o meu “eu” antigo que parece ainda existir em algum momento do tempo. Muitas vezes eu chego a me perder no meio das lembranças, porém o mais importante nestes momentos é que sinto o efeito do tempo, dos anos que transcorrem sem que a gente se dê conta.

Ao ter em mãos minha certidão de nascimento, por exemplo, me surge a ideia de que aquele mesmo papel a minha frente já teve a aparência de novo ao ser entregue aos meus pais há vinte e cinto, quase vinte e seis anos atrás. Uma simples folha A4 conseguiu resistir ao tempo, contar a sua história, e comprovar a minha existência no mundo.

A parte engraçada, e também filosófica disto, é que agora minha velha certidão de nascimento será substituída pela do meu casamento civil e perderá a sua validade. Assim, os nossos próprios documentos conseguem comprovar o passado-presente-futuro de todo e qualquer ciclo da vida.

De alguma forma isto me faz pensar que o passado sempre precisa dar margem para que o presente aconteça e o futuro possa seguir o seu curso seja ele qual for. O meu passado não voltará mais, apesar de eu ainda conseguir segurá-los em minhas mãos. Mas, ele permanece de certa forma vivo, e continuará sendo o responsável pela pessoa que sou hoje, e também por quem serei amanhã, e depois, e depois, e depois…

(India Arie – Always in my head)

Com o tempo…

Com o tempo a gente aprende que não se pode lutar contra as forças do destino, entendemos que tudo acontece na hora certa e a pressa sempre vai contra os nossos objetivos;

Com o tempo também aprendemos que não importam os números na hora de se conquistar amizades, pois o que conta mesmo são apenas os laços construídos com a mais límpida honestidade;

Com o tempo começamos a compreender que as derrotas se tornam mais importantes que as conquistas, porque através delas aprendemos as maiores lições da vida;

Com o tempo a gente entende que a beleza está nos olhos de quem vê com o coração e não com as palavras estabelecidas para separar as pessoas em categorias;

Com o tempo passamos a enxergar o amor como a maior força que existe e como a única forma real de bondade no mundo;

E, com o tempo passamos a notar que, apesar de esbanjarmos preciosos momentos tentando racionalizar o irracional, o nosso próprio tempo de vida é curto demais e precisa ser aproveitado inclusive nos seus mais singelos segundos.

(DoctorRose – Once you love somebody)

Viagens do passado

Já comentei aqui no blog sobre o meu desejo de que existissem máquinas do tempo capazes de nos transportar do presente para o passado e vice-versa. Nem seria necessária a função “presente-futuro”, uma vez que considero bem mais importante consertar os erros do passado para construir um novo destino. Mas, enfim…

A questão é que percebo que de vez em quando o passado parece vir ao nosso encontro por livre e espontânea vontade, sem fazer uso desta máquina do tempo que ainda não existe, para nos dar uma segunda chance. Nos oferece assim de mão beijada a oportunidade de revermos nossas ações e fazermos escolhas diferentes.

Sequer são as raras as ocasiões em que o passado resolve passear pelo presente. O que acontece é que ele chega de mansinho, sem avisar sobre a sua repentina estádia… Tão quietinho que, muitas vezes, nem percebemos. E são nestas horas que deixamos passar chances únicas de construir um novo futuro. Por este e outros motivos, deixo aqui o aviso para aqueles que tem dívidas com o passado: Preste atenção! Ele voltará, com certeza voltará.

(Música: Pedro Mariano – Voz no ouvido)

Meu destino?

De repente, vi meu futuro inteiro passando diante dos meus olhos. Uma experiência maluca, parecida com aquela que as pessoas dizem ter quando correm forte perigo de morte e enxergam toda a vida em um flash. No meu caso, não estava para morrer. Nenhuma situação de adrenalina também. Simplesmente me peguei completamente sozinha em casa falando com minha gatinha enquanto ela, por sua vez, tentava pegar uma caneta do chão com as patinhas.

Parece cômico, mas para mim foi uma trágica revelação. Me vi como aquelas velhinhas solteironas que vivem em apartamentos minúsculos, completamente abandonadas pela família e amigos, cuja a única companhia é a de dez ou vinte gatos. Logicamente, nem cito namorados porque, nenhum homem poderia se interessar por alguém que daria mais atenção para os bichanos.

Seria esse meu destino? Usar pijama o dia inteiro e dormir com gatos, no sentido literal da palavra?

Definitivamente não é o que sonhei para mim. Sempre imaginei que seria melhor me casar com o grande amor da minha vida, longe de igrejas, em meio a alguma paisagem bonita. Ter um casal de filhos para os quais dedicaria todo o meu amor e cuidados. Em vez de gatos, dormir com meu marido, todas as noites, dia após dia pelo resto das nossas vidas. Viver uma vida tranquila, sem grandes ornamentos. Apenas repleta de sentimentos puros, respeito e felicidade, na medida do possível.

Seria pedir demais? Muita ilusão para alguém que fala com gatos?

Dizem que nosso destino é uma consequência das nossas atitudes no presente. Se for pensar desta forma talvez eu realmente vire uma “tiazona” amante de felinos. Apesar de amar gatinhos, não quero isso para mim. Eu espero muito mais da vida e desejo que o destino reserve algo mais do que miados e incontáveis noites assistindo dramas e romances na tv. Talvez, eu tenha um gato. Não mais que um ou dois, prometo!