Quando a dor se ausenta

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É bem verdade que a dor de uma despedida castiga a alma. Principalmente, quando o “adeus” não é pronunciado e fica apenas subentendido pelas consequências da falta de atitude. Se livrar desse sofrimento não é uma tarefa a ser cumprida, pois não há formas racionais o suficiente para fazer o cérebro parar de pensar em quem não pensa mais em você. Mas, o lado otimista de tudo isso, se é que existe, é que o tempo realmente cura tudo… Até mesmo corações dilacerados.

O transcorrer dos dias, dos meses e, especialmente, da ausência, faz com que consigamos seguir nossas vidas rumo ao desconhecido que abriga um coração vazio. Quem muito se ausenta deixa de fazer falta. A saudade dói e castiga o peito logo no começo, mas depois de certo tempo, acabamos por nos acostumar com aquela conhecida dor da partida, e depois de mais um tempo, esquecemos até mesmo que um dia sentimos alguma dor.

O sofrimento vira um desconforto e o desconforto desaparece, se transforma em esquecimento.

No passado você pode ter amado, sofrido, chorado. Mas, tenha certeza que em breve, ou um dia ao menos, você se contentará em ver a foto daquela pessoa feliz ao lado de outra companhia. Quando a dor se ausenta, você fica apenas com a ligeira saudade do tempo em que sentia seu coração vivo.

Liberdade do sofrer

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Existem sofrimentos que são solitários. Ninguém conhece. Ninguém sequer entenderia. É o tipo de sofrimento bonito, daqueles que se vê em filmes. É o tal do sofrer calado.

Sei que você sabe do que estou falando. Todo mundo sabe. Não há ser humano no planeta que não tenha tido, uma vez sequer, que esconder algumas lágrimas. Não se trata de vergonha. E tão pouco de fraqueza. É uma questão de princípios e de respeito com o próprio sofrimento.

Certas dores não precisam ser demonstradas. Elas não querem ser objeto de pena. Não precisam de conforto. Elas só ficam guardadas para em momentos esporádicos darem o ar da existência.

Nem sempre é possível entender um sofrimento deste tipo. Alguns deles não tem lógica. Não estão embasados em nenhum fato concreto. Em determinadas ocasiões, nem há motivos para senti-los. Simplesmente sentimos. Como eu digo: Não dá para fugir quando as lágrimas exercem a liberdade de expressão.

(Michael Logen – Where you are)

Necessidade da dor

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Se fosse possível apagar todo e qualquer tipo de sofrimento, você o faria? A priori, possivelmente, a resposta imediata seria “Sim!”. Mas, chego a questionar se o esquecimento, neste caso, não iria de confronto a verdadeira razão de existência da dor que é a de nos tornar mais resistentes e aptos para enfrentar as batalhas diárias.

Pessoalmente acredito que, mesmo que fosse possível, não valeria a pena apagar a dor. Eu ao menos não desejo esquecer os meus sofrimentos. Eu preciso de cada um deles para me lembrar diariamente de quem eu sou.

As minhas dores são as responsáveis pela construção da atual versão desta Marceli que aqui vos escreve. Talvez isso soe como um masoquismo absoluto, mas as dores são mesmo essenciais para a vida.

(Tiago Iorc – Story of a man)

O destino de uma lágrima

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Quando a dor é maior do que a força as lágrimas se fadam no destino de cair sem culpa. Elas não sentem vergonha por demonstrar fraquezas, preocupações ou medos. No ápice do momento elas apenas se conformam com a exteriorização das suas próprias existências.

Quando as lágrimas rolam pelo rosto, conseguimos admitir para nós mesmos que não estamos bem. Engolimos o orgulho e nos permitimos estar na condição de seres humanos repletos de fraquezas e de pontos que precisam ser melhorados. Quando estamos chorando não há mais volta. Não se torna mais possível calar as lágrimas ou gentilmente pedir para que não caiam. Não há determinação que seja suficiente.

Quando as lágrimas descem pelo rosto também não podemos pensar em todos os motivos que temos para chorar. As vezes a gente esquece de todas estas razões, mas só é preciso viver por um segundo um momento de fraqueza para nos lembrarmos de cada uma delas. Se pensarmos muito a respeito, as lágrimas se transformam em desespero. Mas, convenhamos, esta não é a função delas.

(Little Bit – Forget about me)

Sofrimento bonito

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Acho o sofrimento algo bonito. Parece sádica e completamente maluca a minha afirmação, mas eu acho mesmo. Vejo o sofrimento como algo bonito e poético, porque se trata de um dos sentimentos mais fortes que são expressos pelos seres humanos.

A dor pode ser causada pelo o amor, o ódio, o descontentamento, a decepção, a vaidade… Enfim, as razões são infinitas, indecifráveis, e muitas vezes até desconhecidas. Mas, se sofre, e isso é o inegável naquele dito momento em que se perde o controle da vida, e nada mais faz sentido.

Quando se sofre, não há como se esconder ou então fingir felicidade, simplesmente se sofre na mais pura verdade, na mais dura essência. Músicas não são capazes de alegrar, companhias, filmes, conselhos, promessas… Nada disso serve, nada disso funciona.  A dor é muito maior, é a constância daquele momento. E é isso que eu acho bonito no sofrimento. A verdade estampada na cara, nua e crua, visível, palpável nas lágrimas, no olhar vago, no semblante “down”. Tudo isso é um pacote completo de realidade, é a  sinceridade escancarada no extremo do sentimento.

(John Mayer – Shadow days)

Saudade crescente

Dizem que só sentimos saudades daquilo que já possuímos um dia e, no presente, não temos mais. Faz todo o sentido, claro… E hoje, mais do que nunca, entendo o motivo.

Pode parecer um sofrimento por precipitação, e o é de verdade, mas já estou sentindo a agonia da saudade antes mesmo de viver a falta da minha família e da minha rotina de solteira. Já sinto falta das conversas sobre tudo e sobre nada com minha mãe, das brincadeiras com meus irmãos e até das reclamações do meu pai. Estou sentindo falta da vida que levo, apesar de ainda vivê-la no meu cotidiano.

Em pouco menos de um mês a minha vida vai mudar completamente. Não será uma mudança ruim, logicamente. Mas, será diferente… E, para alguém como, até as mudanças positivas trazem o sofrimento da adaptação.

Sinto falta de tudo, de todos, de cada minuto compartilhado com as pessoas que mais me conhecem neste mundo. Sei que esta saudade ainda aumentará muito mais, por isso desde já escrevo sobre ela com a única esperança de acalentar uma dorzinha crescente que invade meu peito… Mas, vai passar… Espero que um dia passe…

(Randy Edelman – The slea head cliffs)