Coração sonhador

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Desafio você a responder três perguntas de forma honesta e sem rodeios:

  1. Por que as pessoas continuam acreditando em contos de fada mesmo depois de comprovarem que a realidade é totalmente impiedosa com inocentes corações romanceados?
  2. Por que conservar a fé no melhor das pessoas mesmo quando elas emitem provas nítidas o suficiente para que se perceba que não merecem sua confiança?
  3. E por que é tão difícil se contentar com uma existência perfeita aos olhos alheios, mas absolutamente vazia para quem a vive dia após dia?

Acredito que se você conseguir ser sincero de verdade com os próprios sentimentos, encontrará uma resposta universal para as citadas indagações. Seria ela, talvez e simplesmente:

Porque o ser humano é um eterno sonhador.

Sonhador, pois no mundo em que vivemos não é cabível se contentar com realidades singelas e sem graça. Precisamos possuir fogos de artifício dentro de nossos corações para acalmarmos uma insaciável necessidade de nos sentirmos vivos dentro de nossas habituais vidas.

Não sei dizer se existem contos de fadas reais ou se saem faíscas do mitológico amor verdadeiro. Como muitos, apenas conheço a realidade de uma vida oca que precisa encarecidamente de MUITO MAIS para completar o vazio que só outro coração sonhador é capaz de sentir e compreender.

Se um dia vamos nos contentar com a realidade? Não sei… Mas, espero que o tempo e a experiência tragam o alento para as almas sonhadoras.

Coisas que acredito

coração

Acredito em muitas coisas que não possuem uma razão científica. Acredito porque acredito, e apesar da justificativa ser simples, eu a considero suficiente para embasar minha opinião.

Acredito, por exemplo, que o mar tem poderes mágicos que fazem as pessoas se voltarem para o seu interior. Tenho certeza que não é por acaso que toda santa vez que toco meus pés em suas águas, me sinto mais leve e em paz comigo mesma e com o mundo.

Acredito que o sol me acorda de vez em quando só para me desejar um bom dia. Ele não teria nenhum outro motivo para entrar pela janela do meu quarto, e invadir meu início de dia com energias tão boas e positivas.

Acredito que a lua foi feita para os apaixonados sonharem com os incontáveis dias do “felizes para sempre”. Penso que ela está no céu tal como um lembrete para que os casais nunca esqueçam de que o amor é a promessa da mais plena felicidade.

Acredito que o coração tem funções maiores do que as que li nos livros de ciência. Sei que é o meu coração que sente a dor, a alegria, a decepção e o amor. Ele não bate simplesmente para levar vida a cada centímetro do meu corpo. Ele bate em diferentes ritmos para expressar o que de mais intimo acontece comigo. Ele bate para comprovar que os sentimentos e muitas das coisas que acredito são reais e dispensam obrigações científicas. Por isso, sim, eu acredito porque simplesmente acredito!

(Bloodstream – Stateless)

Meu coração

Sempre que alguém fala em sentimentos sejam eles variantes entre o amor e a indiferença, o ódio ou a paixão, costumamos nos remeter ao coração. É como se este órgão vital para o funcionamento do corpo humano também fosse o responsável pela função de hipérbole da emoção.

Logicamente, não condeno quem pensa desta forma até mesmo porque já senti em meu coração as dores e alegrias extremas que só os sentimentos são capazes de proporcionar. Parece mesmo que no momento que somos acometidos por sensações abstratas, desconhecidas ou populares, é o coração que sente mais… Chega a parecer quase como se o coração se jogasse na frente de tudo e de todos e tomasse partido pela sobrevivência das demais partes dos nossos corpos.

Os cientistas e estudiosos dizem que não! Falam que as funções do coração se restringem a conduzir oxigênio para cada mísera célula do organismo humano, e que não tem a menor evidência de que ele atue como uma espécie de moderador de sentimentos. Mas, pessoalmente, me pergunto se as palavras dos estudiosos são relevantes quando sentimos aquele aperto no peito, misturado às vezes com dor, agonia, e outras com uma felicidade tão grande que parece não caber dentro da gente? Ouso dizer que não… Nessas horas, sequer lembramos do que dizem os livros de ciência da escola.

Para mim é sim o coração que sente. É ele o responsável por me fazer sentir a tristeza e a felicidade, o amor e a raiva, e todos os demais bombardeios de sentimentos que transcorrem dentro de mim na consciência desta vida e no inconsciente esquecimento das demais. Talvez o coração seja apenas uma hipérbole da emoção, sem nada de grandioso ou sobrenatural… Entretanto, o meu particular coração só se acalenta quando penso que ele age como uma ligação do corpo físico, material, com a minha alma abstrata e muito incompreendida.

(Lizz Wright – My heart)

Sonhos sem sinônimos

Já ouvi muita gente dizer que realizar sonhos é uma tarefa simples que consiste em apenas se ter um objetivo e lutar por ele. Mas, devo dizer que esta descrição me parece banal demais e totalmente desprovida de emoção e magia. Na minha opinião, trazer um sonho para a realidade é muito mais do que se ter metas na vida… É perceber como tudo acontece dentro de um perfeito equilíbrio e notar como a vida pode ser mágica e encantadora até mesmo em momentos singelos.

Devo dizer, dentro da autoridade que me consiste por eu estar realizando o maior sonho da minha vida, que sonhos não podem ser encarados como meros sinônimos de objetivos, metas ou de qualquer outra palavra igualmente singela. Sonhos são idealizações que provêm dos mais íntimos desejos, daquelas vontades que às vezes não temos coragem de compartilhar com ninguém. Sonhos são constituídos por pequenos detalhes que conseguem exercer imensidades de encantos capazes de fazer os olhos brilharem ou sorrisos brotarem nos lábios involuntariamente.

Sonhos não podem ser banalizados a uma lista de coisas que precisam ser feitas para se chegar a determinados lugares. Eles são maiores do que listas de tarefas e do que nossas inseparáveis agendas podem registrar. Sonhos são como porto seguros guardados dentro do coração, como aqueles souvenires que deixamos em caixas no fundo do guarda-roupa que sempre que são resgatados trazem à tona os sentimentos mais extremos.

Não, sonhos não são objetivos. Sonhos não possuem sinônimos ou comparações. Sonhos são doces encantos, são fé, e as mais verdadeiras esperanças que nutrimos pelas nossas respectivas vidas.

(Fuel – Leave the memories alone)

Pessoas especiais

Fico me perguntando como as pessoas se tornam especiais. Não sei ao certo se chegarei a uma conclusão concreta, mas acredito que se tornam importantes para nós a partir do momento que transparecem algo diferente dos demais que nos cercam.

Claro que existem características comuns a todos os seres especiais que habitam a Terra. Respeito e sinceridade, principalmente. Aliás, estas duas são as bases para qualquer relacionamento verdadeiro que se possa ter. Mas, acredito que existe um diferencial naqueles que consideramos especiais.

Algo que somente eles possuem, sensações que nos transmitem até mesmo sem querer. Sorrisos, palavras, gracinhas, sei lá… São muitas possibilidades para serem listadas. Em geral, são qualidades que, mesmo inconscientemente, admiramos e fazem nosso coração balançar.

Eu admiro muito pessoas alto-astral, daquele tipo que chegam nos lugares e transformam o ambiente com a sua energia. Porém, não nego que também adoro pessoas os sérios e determinados por transmitirem muita confiança e lealdade. E, também, adoro os tímidos por parecerem tão verdadeiros e puros.

Parece confuso dizer isso, porque na realidade minhas “preferências” acabam abrangendo um grupo enormeeee de pessoas. Mas, de qualquer forma, pessoas especiais nunca são demais em nossas vidas. Quanto mais, melhor! =)

(Música do dia: The Maine – Whoever she is)

Gestos expressivos

Neste post, solicito a compreensão no sentido de que deixarei de escrever Palavras de Marceli, por algumas linhas, e mencionarei o trecho de um livro estou lendo cujo conteúdo revela entrevistas concedidas por Chico Xavier. Sob a página trinta e dois da obra*, o jornalista pede a Chico que ele conte um fato ou um acontecimento que lhe tocou o coração. Com grande paciência e imensa humildade, Chico responde:

“Peço minha permissão para contar um caso que para mim foi um dos mais expressivos, que mais parece uma história infantil. Eu estava em Uberaba, há uns dois anos, esperando um ônibus para ir ao cartório. Nossa residência até lá tem uns três quilômetros. Nós, com o horário marcado, não podíamos perder o ônibus. Mas, quando o ônibus estava quase parando, uma criança de uns cinco anos, apresentando bastante penúria, gritava por mim, de longe. Chamava por Tio Chico, mas com muita ansiedade. O ônibus parou e eu pedi então ao motorista: pode tocar o ônibus porque aquela criança vem correndo em minha direção e estou supondo que este menino esteja em grande necessidade de alguma providência. O ônibus seguiu, eu perdi, naturalmente, o horário. A criança chegou ao meu lado, arfando , respirando com muita dificuldade. Eu perguntei: O que aconteceu, meu filho? Ele respondeu: Tio Chico, eu queria pedir ao senhor para me dar um beijo. Esse eu acho que oi um dos acontecimentos mais importantes da minha vida.”

Fui tocada de forma muito especial ao ler estas palavras. Deparei-me com a certeza de que desperdiço muito tempo exatamente correndo contra o tempo e, hoje, considero esta atitude uma grande ignorância da minha parte. Percebo que vivo, vez ou outra, certo desespero em realizar determinadas tarefas ou então em sempre chegar aos compromissos diários em ponto e, até mesmo, com antecedência. A ansiedade sempre fez parte do meu vocabulário.

Concordo que existem obrigações que devem ser cumpridas e não se pode fugir delas. Mas, chamo a atenção para o descaso com os acontecimentos pequenos, porém expressivos, que podem mudar toda uma maneira de encarar a vida e dar um novo colorido para um dia como outro qualquer.

Um beijo, um abraço apertado, uma troca de gestos singelos como um “bom dia” para um desconhecido, ou um simples sorriso para aqueles que compartilham conosco a convivência são atitudes fáceis de fazer. Dispensam trocas financeiras, interesses diversos. Simplesmente são gestos gratuitos, em todos os aspectos possíveis, e proporcionam um bem maior que não existe valor capaz de ser expresso em números ou proporções. Existem unicamente para tocar nossos corações.

*Chico Xavier: Entender conversando (Francisco Cândido Xavier, Espírito de Emmanuel). 2006.