Vou cuidar de você!

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Vou cuidar de você” é a minha frase favorita no mundo inteiro das palavras. Prefiro ela a “Eu te amo” ou “Estou apaixonado por você”. “Vou cuidar de você” supera as expectativas, extrapola as barreiras dos tempos verbais e se eterniza, mesmo que por meio de mera promessa que até pode não ser cumprida pela parte que se diz protetora.

Quando alguém se compromete em cuidar de você, os medos se esvanecem e a insegurança sede espaço para a proteção. Mesmo que os limites do espaço, do tempo e até mesmo das circunstâncias representem empecilhos para a realização do verbo “cuidar”, existe um toque quase angelical de segurança que se propaga por uma humilde vida que passa, então, a se sentir protegida.

 “Vou cuidar de você” é muito mais do que é uma frase… É um sentimento genuíno que transcende o abstratismo das palavras e se transforma em uma inigualável paz de espírito.

A arte do desapego

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Você sabe a hora certa de se desapegar de alguém? Consegue sentir o momento exato,  seguro o suficiente, para se distanciar e evitar estragos no próprio coração?

Eu sei que a paixão e o sofrer estão interligados. Porém, também sei que existe uma linha tênue que permite a racionalização do que está por vir. Não que nós, limitados seres humanos, sejamos capazes de prever as teias do destino. Mas, acredito que exista um sentido extra que nos apresenta indícios de que nosso coração corre perigo.

Quando esse alerta desperta nossa atenção só temos duas possibilidades: Permitir que a paixão tome conta de nossas vidas; Ou sair correndo na direção contrária o mais rápido possível.

No final, qual seria a escolha mais adequada? Ficar e sentir toda a beleza de um turbilhão de emoções invadindo seu coração? Ou fugir e evitar que esta ventania tempestuosa lhe leve para longe de tudo o que pode existir dentro da razão?

Qual é a idade da sua experiência?

 

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Começo com essa pergunta por um simples motivo: A idade do seu corpo não é precisa o suficiente para dizer quem você é de verdade.

É provável que você que me lê já tenha percebido que existem adolescentes mais responsáveis que muito senhores idosos, da mesma forma que também existem idosos mais crianças do que a minha afilhada de um ano de idade. Isso acontece pelo simples fato de que cada ser humano nesse planeta cresce e desenvolve seu caráter de maneira diferente.

Existem incontáveis fatores que podem definir a maturidade de uma pessoa, inclusive, pessoas que já viveram a mesma experiência de vida podem ter aprendido lições e transformado isso em caráter de forma distinta.

Outro dia, por exemplo, levei minha irmã caçula no pronto socorro (ela já está bem, graças a Deus) e fiquei a observar o comportamento das pessoas que chegavam e eram atendidas. Duas senhoras com seus 60 e poucos anos empurravam a cadeira de rodas de uma outra senhora ainda mais velhinha, a mãe delas. Inevitavelmente, lembrei de minha mãezinha. Recordei de todas as vezes que eu também tive que empurrar sua cadeira de rodas… Chorei em silêncio.

Vi uma das filhas saindo da sala de espera com olhos marejados de lágrimas e o semblante preocupado. Pensei comigo: “Estranho, eu sou tão mais nova que ela e já passei por isso. Vi minha mãe adoecer, piorar e morrer. A idade da minha experiência, ao menos nesse caso, é superior à das filhas daquela senhorinha. Sei exatamente o que elas sentem, sei o que poderia falar para elas, sei o que elas precisam ouvir. Sei o quanto choram escondidas no chuveiro, e o quanto dói a sensação de não poder fazer nada para minimizar o sofrimento de uma mãe tão querida.”.

Não segurei minha curiosidade, e encontrei uma oportunidade para conversar com aquela senhora que saiu do pronto socorro segurando as lágrimas. Perguntei o que a mãe dela tinha e recebi a única resposta que eu não gostaria de ouvir: Câncer.

Chorei novamente, agora ao lado daquela senhora que, mesmo sendo uma completa estranha, me despertou compaixão. Contei sobre o sofrimento que minha família também viveu ao lado de minha mãe. Falei que, no final, tudo está na mão de Deus e a nós só resta a oportunidade de aproveitar o tempo que pudermos ao lado de quem amamos.

Gostaria de ter tido coragem para mentir e dizer que tudo iria ficar bem. Mas, a verdade é que isso não vai acontecer, pois a morte não espera que você viva sua vida ou que chegue aos cem anos de idade. Ela simplesmente acontece assim de repente, quando a gente menos deseja que ela apareça para levar a vida das pessoas mais importantes para a sã sobrevivência de nossas infantis e despreparadas existências. A morte não respeita a idade do corpo e muito menos da sua experiência.

Sr. Sabichão

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Uma característica peculiar de todo ser humano é achar que sabe mais do que os outros. Os anos de estudo e de experiência são pisoteados nessa questão. Não importa se você é pós-doutorado em Haward, e tão pouco se já fez o trabalho em questão 10.704 vezes. Você jamais saberá mais do que o tal do Sr. Sabichão.

Faça o que eu digo” é a frase adorada por eles. Mas, ao ouvi-la, não se espante. Xingue a mãe, o pai, jogue maldições até a quinta geração e imagine o Sr. Sabichão caindo de uma escada ao tropeçar em bolinhas de gude. Depois respire, engula todo tipo de orgulho e diga “Tudo bem!” com um sorriso, mesmo que pálido, no rosto.

Discutir, para quê? Não se pode lutar contra a “força” de quem acha que sabe mais. É uma batalha perdida. Apenas releve. Seja superior! Palavras e discursos rebuscados não são compreensíveis para ouvidos e mentes ignorantes. A inteligência, tão pouco, se sobressai nesses casos. Em discussões ganha a voz de quem sabe gritar mais, e não aquela capaz de  pronunciar real embasamento científico.

Mãezinha, parabéns!

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Hoje fazem tantos 9 meses, 277 dias, e 10 horas que minha mãe se foi para longe do alcance do meu abraço. Não que eu esteja contando o tempo dia após dia mas, por um momento, pensei que tal contabilidade poderia expressar o tamanho da minha saudade… A verdade é que não pode, de forma alguma poderia. Minha saudade é muito maior do que meses, dias ou até mesmo décadas. Minha saudade é compatível com o tamanho do amor que minha mãe dedicou a minha vida, a dos meus irmãos e de todas as pessoas que cruzaram o seu caminho.

 

Juro que já não choro mais como antes. Hoje é uma exceção. Como dizer “não” as lágrimas quando elas são as únicas companheiras capazes de extravasar o verdadeiro sentimento que carrego no peito? Não, não há maneiras capazes de impedir o sofrimento da perda. Porém, hoje me permito chorar e também me permito rir ao lembrar dos incontáveis momentos que Deus me permitiu conviver ao lado de minha mãezinha.

 

Este é o primeiro Dia das Mães que passo sem ela.
No ano passado, quando ela ainda estava aqui, lembro que pude acordar cedo, comprar uma flor, sentar ao lado dela na cama, abraçá-la e dizer “Eu te amo, mãe!”. Neste ano será diferente, mais vazio e eternamente mais triste. Mas tudo bem! Entendo que o “Cara Lá de Cima” também precisa de boas companhias.

 

Ontem fui em uma floricultura e me veio à memória todas essas recordações. Não pude deixar de pensar na minha mãe ao ver cada arranjo de flores. Olhei todos, pensei, escolhi, mudei de ideia e acabei trazendo para casa um arranjo pequeno e delicado com uma única rosa com pétalas coloridas. Sinceramente não sei como conseguiram mexer com a genética da rosa para deixá-la cheia de cores, mas para mim ela representa muito bem à alma multicolorida de minha mãe, com cada cor representando suas características: benevolência, otimismo, força, fé, alegria, tranquilidade, espontaneidade, dedicação, paciência, abnegação, e acima de tudo, AMOR.

 

Mãe, eu sei que não sou capaz de te enxergar agora, mas tenho absolutamente convicção de não podes estar longe, porque hoje é Dia das Mães, é o dia daquela mulher batalhadora que se virou – sabe Deus como – para cuidar de seis filhos. Hoje é o SEU dia minha mãe, e eu daria tudo o que tenho na minha vida só para te abraçar novamente e dizer “Eu te amo mãe, sabes disso né?”.

Paz de espírito

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Conservo certas atitudes que me propiciam paz de espírito e a harmonia que minha alma tanto anseia. Ler, escrever, e correr muitos quilômetros consecutivos são apenas alguns exemplos. Porém, infelizmente, existem fases da minha vida em que me esqueço dos meus “hábitos de paz”. Por que isso acontece?

Sinto que de vez em quando sou assombrada por tantos fantasmas que não encontro espaço – ou motivação – para seguir pelos caminhos que eu amo de verdade. E este é o meu constante erro. Quando não faço o que gosto, acabo preenchendo os vazios do meu dia a dia com afazeres que sequer quero que estejam presentes, mas que, inevitavelmente, acabam sendo executados de maneira quase que obrigatória.

Tudo bem, ninguém aponta uma arma para a minha cabeça e diz “Faça isso agora!”. Mas, convenhamos que nem todas as nossas ações são guiadas exclusivamente pelas vontades. A maior parte das situações, por sinal, caem no nosso colo e somos obrigados a lidar com elas da melhor maneira possível.

Só que hoje… Somente hoje adquiri a plena consciência de que não posso deixar de fazer as coisas que gosto só porque outras situações surgiram e me desviaram da minha paz de espírito. Não, e não pretendo nunca mais abrir mão de quem eu sou e do que preciso para ser feliz. Acostumem-se com isso!