Ciclo inquebrável

Reprodução

O inquebrável ciclo da vida eu conheço: Nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. Gostaria que fosse diferente, mas até me conforta o pensamento de que todos estamos fadados a cumprir tais etapas. É possível driblar o “reproduzir”, e também há quem não consiga crescer o suficiente para chegar a velhice. Mas, de maneira irrevogável, é impossível fugir da morte.

Como não há escapatória, compreendo que precisamos seguir do jeito que nos foi imposto por Deus, Oxalá ou, quem sabe, por nós mesmos. Quanto a reprodução, hoje em dia, até temos uma escolha, porém não dá para se esconder de todo o resto. Não tenho consciência de ter pedido para crescer, envelhecer e morrer. Tudo isso me foi imposto, obrigado. Eu não queria ter de crescer. Gostaria de continuar uma criança a caminhar por muitos mais anos na estrada da vida. Também não quero ter de partir “dessa vida para outra”. Não quero limitar minhas experiências de vida há, com sorte, oitenta ou noventa anos. Quero viver mais, quero ser muito mais que isso!

Entendo que o corpo humano não é feito para suportar tantos trancos e barrancos da vida. Quando chegamos aos cinquenta anos de idade já parece que tudo precisa ser recauchutado, e lá pelos setenta anos já vivemos mais com empurrões dos remédios do que por méritos próprios da nossa máquina corporal.

Sei que a morte faz parte da vida, mas por que no final tem de existir tanto sofrimento? Por que não podemos morrer sem passar por dores, dilacerações, amputações? Por que não podemos simplesmente partir? Aliás… Por que mesmo que precisamos partir?