Velha de cabelos brancos

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Um dia ficarei velha de cabelos brancos e continuarei acreditando em milagres e que no futuro tudo será diferente. Também continuarei cometendo os mesmos erros, derrubando tudo no chão, esbarrando em paredes, dando bicudas em sacos de pancadas e murros em pontas de facas…

Me conservarei escondendo as saudades infinitas, fingindo não me importar com o que pensam de mim, criando planos mirabolantes em pensamento e fazendo tudo ao contrário na vida real.

Um dia, sim, eu ficarei velha de cabelos brancos e ainda permanecerei amando escondido, desejando o que não posso e fazendo o que não quero. Continuarei olhando para o céu imaginando o impossível e exercitando minha paixão por escrever sobre tudo o que sou e também sobre quem eu gostaria de ter sido um dia.

Coração sonhador

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Desafio você a responder três perguntas de forma honesta e sem rodeios:

  1. Por que as pessoas continuam acreditando em contos de fada mesmo depois de comprovarem que a realidade é totalmente impiedosa com inocentes corações romanceados?
  2. Por que conservar a fé no melhor das pessoas mesmo quando elas emitem provas nítidas o suficiente para que se perceba que não merecem sua confiança?
  3. E por que é tão difícil se contentar com uma existência perfeita aos olhos alheios, mas absolutamente vazia para quem a vive dia após dia?

Acredito que se você conseguir ser sincero de verdade com os próprios sentimentos, encontrará uma resposta universal para as citadas indagações. Seria ela, talvez e simplesmente:

Porque o ser humano é um eterno sonhador.

Sonhador, pois no mundo em que vivemos não é cabível se contentar com realidades singelas e sem graça. Precisamos possuir fogos de artifício dentro de nossos corações para acalmarmos uma insaciável necessidade de nos sentirmos vivos dentro de nossas habituais vidas.

Não sei dizer se existem contos de fadas reais ou se saem faíscas do mitológico amor verdadeiro. Como muitos, apenas conheço a realidade de uma vida oca que precisa encarecidamente de MUITO MAIS para completar o vazio que só outro coração sonhador é capaz de sentir e compreender.

Se um dia vamos nos contentar com a realidade? Não sei… Mas, espero que o tempo e a experiência tragam o alento para as almas sonhadoras.

Sentimentos calados

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Ao longo dos anos aprendi algo que não me orgulho nenhum pouco, mas hoje faz parte de mim e está presente na minha vida tal qual o ato involuntário de respirar. Aprendi a calar sentimentos. Eu os silencio o tempo todo, até mesmo quando não quero e de forma totalmente mecânica.

Não faço isso por mal. Na maioria das vezes é até para evitar que o mal aconteça. Existem sentimentos que não devem ser mencionados por que não seriam compreendidos, ou porque causariam fatalidades inimagináveis.

Prefiro evitar desavenças e complicações…

Engulo a raiva, mantenho xingamentos no pensamento, escondo paixões no peito e finjo não sentir nenhuma dor. Transformo desespero em paciência. Saudade em desapego. Tristeza em reflexão.

E quer saber? Eu sou boa nisso. Ninguém nunca duvida, ninguém nunca questiona. No fundo as pessoas se preocupam apenas com o que você aparenta estar sentindo. Ninguém se dá o trabalho de questionar o que você não exterioriza ao mundo.

Sei que quando escondo sentimentos cometo um crime, deixo de ser e de sentir quem sou de verdade. Mas, por que complicar uma vida – ou várias vidas – que já nem são tão fáceis? Prefiro calar. Existem partes de mim que precisam apenas ser esquecidas.

Quando a dor se ausenta

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É bem verdade que a dor de uma despedida castiga a alma. Principalmente, quando o “adeus” não é pronunciado e fica apenas subentendido pelas consequências da falta de atitude. Se livrar desse sofrimento não é uma tarefa a ser cumprida, pois não há formas racionais o suficiente para fazer o cérebro parar de pensar em quem não pensa mais em você. Mas, o lado otimista de tudo isso, se é que existe, é que o tempo realmente cura tudo… Até mesmo corações dilacerados.

O transcorrer dos dias, dos meses e, especialmente, da ausência, faz com que consigamos seguir nossas vidas rumo ao desconhecido que abriga um coração vazio. Quem muito se ausenta deixa de fazer falta. A saudade dói e castiga o peito logo no começo, mas depois de certo tempo, acabamos por nos acostumar com aquela conhecida dor da partida, e depois de mais um tempo, esquecemos até mesmo que um dia sentimos alguma dor.

O sofrimento vira um desconforto e o desconforto desaparece, se transforma em esquecimento.

No passado você pode ter amado, sofrido, chorado. Mas, tenha certeza que em breve, ou um dia ao menos, você se contentará em ver a foto daquela pessoa feliz ao lado de outra companhia. Quando a dor se ausenta, você fica apenas com a ligeira saudade do tempo em que sentia seu coração vivo.

Vou cuidar de você!

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Vou cuidar de você” é a minha frase favorita no mundo inteiro das palavras. Prefiro ela a “Eu te amo” ou “Estou apaixonado por você”. “Vou cuidar de você” supera as expectativas, extrapola as barreiras dos tempos verbais e se eterniza, mesmo que por meio de mera promessa que até pode não ser cumprida pela parte que se diz protetora.

Quando alguém se compromete em cuidar de você, os medos se esvanecem e a insegurança sede espaço para a proteção. Mesmo que os limites do espaço, do tempo e até mesmo das circunstâncias representem empecilhos para a realização do verbo “cuidar”, existe um toque quase angelical de segurança que se propaga por uma humilde vida que passa, então, a se sentir protegida.

 “Vou cuidar de você” é muito mais do que é uma frase… É um sentimento genuíno que transcende o abstratismo das palavras e se transforma em uma inigualável paz de espírito.

A arte do desapego

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Você sabe a hora certa de se desapegar de alguém? Consegue sentir o momento exato,  seguro o suficiente, para se distanciar e evitar estragos no próprio coração?

Eu sei que a paixão e o sofrer estão interligados. Porém, também sei que existe uma linha tênue que permite a racionalização do que está por vir. Não que nós, limitados seres humanos, sejamos capazes de prever as teias do destino. Mas, acredito que exista um sentido extra que nos apresenta indícios de que nosso coração corre perigo.

Quando esse alerta desperta nossa atenção só temos duas possibilidades: Permitir que a paixão tome conta de nossas vidas; Ou sair correndo na direção contrária o mais rápido possível.

No final, qual seria a escolha mais adequada? Ficar e sentir toda a beleza de um turbilhão de emoções invadindo seu coração? Ou fugir e evitar que esta ventania tempestuosa lhe leve para longe de tudo o que pode existir dentro da razão?