Meu mundo sem palavras

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Por um tempo eu perdi a vontade de escrever. Na verdade, perdi a vontade de fazer qualquer coisa que não envolvesse as conhecidas preocupações. O mundo estava caindo na minha cabeça, e eu me sentia ocupada demais, estressada demais, cansada demais para me dedicar a escrita mesmo que esporádica ou eventual.

Por um tempo me senti desconectada do mundo das palavras. Me faltou vontade, inspiração, e também coragem, admito.

Por um tempo resolvi me desligar do mundo das ideias. Não queria pensar. O simples ato de racionalizar cada centímetro do meu dia soava como autopiedade. Tudo ficou tão turbulento que me vi obrigada a optar pela desistência do mundo literal e descritivo.

Me surgiam perguntas como “Para que escrever? As palavras por acaso vão resolver meus problemas?”, “Os posts ininterruptos vão curar doenças, encher o bolso de dinheiro, ou acabar com toda a injustiça do mundo?”.

Por um tempo as palavras não me bastaram, porque não foram suficientes para calar a melancolia. As Palavras de Marceli ficaram jogadas de lado a mercê da falta de otimismo. Descartei-as e rotulei-as como desnecessárias. Mas, agora… Agora eu preciso delas!

Não posso dizer que minhas preocupações se findaram, longe disso, infelizmente. Mas, sinto falta da sensação de liberdade de expressão e, principalmente, do desabafo desinteressado. Sinto falta das palavras que tentam explicar tudo o que sinto, mas não sei expressar em voz alta. Sinto falta do meu mundo silencioso que é repleto de parágrafos e interjeições. Sinto falta do meu mundo de palavras.